Texto de referência: I Tessalonicenses 4:13-18
Esse texto vem após 21 anos de luto pela morte da minha mãe e 18 anos da morte do meu pai. Dois lutos muito próximos um ao outro, sem que houvesse um tempo hábil para a completa recuperação. O tempo consegue amenizar bastante o sentimento do luto, mas quando não há uma cura completa, a dor da perda se torna apenas uma ferida tapada, mas que por dentro continua sangrando. Isso faz com que qualquer evento difícil, especialmente a morte de outras pessoas, façam reacender novamente aquela dor.
Por mais dolorida que seja a dor pela morte de alguém, é algo que precisa ser superado ou corremos o risco de morrer junto com o defunto, mesmo estando fisicamente vivos.
E nesse dia eu gostaria de colocar à luz da Bíblia como deve ser o nosso comportamento diante da dor da perda de alguém que seja muito próximo a nós.
O texto mais claro sobre esse assunto na Bíblia está na carta de Paulo aos tessalonicenses, onde o apóstolo alerta sobre a “ignorância” (o texto usa exatamente essa característica) de entristecer acerca daqueles que morreram em Cristo.
Primeiramente ele não retrata os que morreram em Cristo com a palavra morte, mas ele se refere a eles como quem dorme. Essa é a primeira lição, que nos faz entender que para aqueles que partiram servindo a Cristo, a morte é como um sono, do qual eles despertarão na companhia de Deus e Jesus.
Este é o segundo aspecto, onde Paulo diz que, aqueles que dormiram no Senhor estão na companhia de Deus. Assim, a morte é para nós um encontro com o Senhor.
Por fim, o apóstolo Paulo nos alerta sobre a ressurreição dos mortos em Cristo, que se dará na volta de Cristo e acontecerá primeiro do que daqueles que estarão vivos nesta terra. A palavra é clara ao dizer que, quando a trombeta tocar, os mortos em Cristo ressuscitarão e depois os que estão vivos serão arrebatados e todos se encontrarão nos ares com o Senhor.
Esse é um trecho complexo, mas que me faz compreender que os mortos só serão ressuscitados na volta de Cristo, mas que até esse momento estarão de algum modo na companhia do Senhor, talvez com o corpo glorificado, mas não ressuscitado.
A morte do ladrão na cruz junto com Jesus e o diálogo entre eles, nos leva a crer que a morte é uma breve passagem, como um fechar de olhos na terra, e um abrir de olhos com Jesus.
Mas e a dor da perda? Ela existe e não pode ser ignorada. Jesus chorou quando Lázaro morreu (João 11:35), ele se comoveu com os que sofriam pela morte do amigo e chorou ao ver o túmulo, entretanto, Ele também disse nesta ocasião que quem cresse nele não veria a morte para sempre.
Dessa forma, apesar de toda a dor da perda, precisamos nos apegar à esperança, tanto de que aquele ente querido que partiu está na companhia do Senhor, tanto de que nós o veremos novamente na ressurreição final. O abraço que não foi dado, a saudade que ficou, tudo isso será compensado ao podermos viver eternamente ao lado deles.
Neste dia, espero que essa reflexão transforme a sua dor em esperança.