segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Plantados junto às águas do Espírito

Texto de referência: Ezequiel 47:12


Um dos significados de água na Bíblia refere-se à presença do Espírito. O próprio Jesus referiu ao Espírito como um rio de águas vivas (João 7:38).

Quando o profeta Ezequiel teve uma visão de um templo futuro de Israel, ele mencionou um rio de águas que saíam desse templo. Eram águas que começavam rasas, mas que iam ficando cada vez mais profundas. Um rio que produzia vida por onde as águas derramassem e abrigava em si peixes de muitas espécies. 

À margem desse rio ficavam muitas árvores, as quais produziam muitos frutos, que sempre se renovavam, nunca faltavam e serviam de alimento. As folhas dessas árvores não murchavam e serviam de remédio.

Quando vamos analisar essas árvores, vemos o retrato de uma árvore perfeita, que está sempre dando frutos e cujas folhas não secam. A resposta para tanta abundância o próprio texto nos traz, que é ser regada pelas águas que saem do santuário. 

Outros dois textos da Bíblia fazem analogias semelhantes a essa, comparando o cristão com árvores plantadas junto à fonte de águas, os quais são o Salmos 1:1-3 e Jeremias 17:7-8. Em ambos os textos estão descritas atitudes que fazem o cristão ser como essas árvores, as quais são citadas como viver uma vida de retidão, longe do pecado e confiar no Senhor de todo coração. 

O texto de Ezequiel não menciona atitudes que fazem o cristão ser como uma árvore plantada junto às águas, somente o fato destas águas brotarem do santuário. Se nos demais textos podemos inferir que atitudes louváveis nos fazem ser como essas árvores, como podemos ter um agir correto senão pela ação transformadora do Espírito em nós? Por isso eu acredito que essas águas de Ezequiel se referem ao Espírito Santo. Além disso, o fato delas se aprofundarem à medida que o homem da visão caminhava, também remete ao fato de um mergulhar contínuo e profundo do Espírito. 

Dessa forma, podemos presumir que a ação do Espírito em nossas vidas nos faz ser como árvores plantadas junto às águas. Jamais iremos murchar ou secar, mas estaremos sempre renovados, sempre dando frutos por onde passarmos. Além disso, as nossas folhas servirão de remédio, isto é, podemos ser instrumentos de cura para outras pessoas. 

Esse é o poder do Espírito habitando em nós. Através dele somos transformados em nosso interior para gerar transformação na vida das pessoas ao nosso redor. 


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Os três templos na Bíblia

 Deus não precisa de templos feitos por pessoas, essa foi uma declaração dita pelo próprio Deus ao rei Davi. Apesar disso, Ele ordenou a construção do tabernáculo por Moisés, para que Ele habitasse no meio do povo de Israel (Êxodo 25:8).

Todas as orientações para construção foram dadas por Deus a Moisés no monte Sinai. O tabernáculo era um espaço simples, coberto por apenas por cortinas, mas cheio de rituais e objetos sagrados, cuja presença de Deus emanava de forma poderosa e visível. 

Após centenas de anos da construção desse primeiro templo, denominado tabernáculo, veio o segundo templo, idealizado por Davi, mas construído por seu filho Salomão. Esse local também teve todas as orientações dadas por Deus para a sua construção, e uma inauguração marcada pelo poder de Deus, mas infelizmente foi sendo saqueado aos poucos, por cada adversário que guerreava contra Israel, até a sua completa destruição pelos babilônios, 374 anos após a sua construção. 

Foi reconstruído 70 anos depois pelo escriba Esdras, junto com Zorobabel e o sacerdote Jozadaque. Com uma estrutura muito mais simples, afinal, Israel não era uma nação independente, mas estava debaixo do domínio dos persas. Alguns israelitas choraram ao ver este último templo, mas Deus trouxe o consolo ao povo dizendo que a glória da segunda casa seria maior do que a primeira (Ageu 2:9).

Mas ele não se referia ao espaço físico, mas ao espiritual, pois quem um dia pisaria naquele templo era o próprio Deus feito homem - Jesus.

Este último templo foi reformado séculos depois por Herodes. Mas poucos anos depois foi completamente destruído pelos romanos. Após essa destruição nunca mais houve a sua reconstrução. 

Este foi um pequeno resumo da história dos templos que os israelitas tiveram e a sua importância no nosso entendimento da importância que tem a casa do Senhor.

Ainda que exista a promessa de que Deus habitará em nossos corações, precisamos entender a importância do templo. Apesar de não ser um lugar único e exclusivo para a manifestação da presença de Deus, Ele também se manifesta ali, e a reverência na casa de Deus é fundamental.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Natanael, um homem confrontado por Jesus

 Texto de referência: João 1:43-51

Natanael é um homem da Bíblia que aparece pouco. Na verdade, há somente duas referências a ele, sendo uma delas uma passagem curta mas que contém alguns ensinamentos. 

Natanael era amigo de Filipe, o qual o apresentou a Jesus. Filipe havia recebido o convite de Jesus para segui-lo e o fez imediatamente. Ele creu em Jesus como Messias e então foi divulgar essa mensagem a Natanael. 

Mas este era um homem, como descrito pelo próprio Jesus, sem fingimento. Natanael parecia gostar de falar o que pensava, e fez assim ao ouvir que Jesus era de Nazaré. Ele disse a Filipe: 

“De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” 

Havia ali um preconceito regional, por Nazaré ser uma cidade pobre, sem expressão e sem um culto definido como as demais. Entretanto, Jesus provou que o melhor desta terra veio de Nazaré. Mesmo sem crer, Natanael foi com Filipe até Jesus e antes que ele dissesse algo, Jesus já confrontou a sua personalidade sincera.

“Eis um verdadeiro israelita, em quem não existe fingimento algum.”

Natanael se espantou imaginando de onde Jesus o conhecia, e novamente se surpreendeu quando Jesus lhe disse:

“Antes de Filipe chamá-lo, eu já tinha visto você debaixo da figueira.”

Não se sabe o que Natanael fez ou falou debaixo dessa figueira, mas sem dúvida foi algo muito secreto para que ele pudesse crer que, se Jesus sabia acerca da figueira, existia um poder maior sobre Ele.

E ali Natanael se tornou um dos discípulos de Jesus, estando com Ele até a sua ressurreição (João 21:2). A recompensa foi conviver com o próprio Deus feito homem e viver a experiência dos céus abertos e os anjos de Deus sobre Jesus. 

Natanael era um homem de personalidade forte, mas que se deixou quebrar pela presença de Jesus. Ao estar ao lado dele, percebeu que naquele homem residia muito mais do que uma figura humana, mas alguém que vinha de Deus, seu próprio Filho.

Muitos outros foram confrontados por Jesus mas não tiveram a ousadia de crer nele. Natanael resolveu deixar de lado os seus preconceitos para desfrutar do melhor tempo que a Terra experimentou, Deus conosco, o Verbo que se fez carne e habitou entre nós.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Deus, o nosso pastor

 Texto de referência: Salmos 23

Enquanto o profeta Ezequiel retratava as falhas dos líderes de Israel, denominados pastores (Ezequiel 34:4), vemos tantas referências que retratam o Senhor como o verdadeiro pastor de Israel, inclusive na continuação do capítulo 34 de Ezequiel. 

Também nesse contexto, o Salmos 23, mundialmente conhecido, retrata o pastoreio perfeito do Senhor. Nesse texto, quero demonstrar através deste salmo, as características do Senhor como o pastor que cuida e protege o seu povo.

Versículos 1-3: O verdadeiro pastor é aquele que procura os pastos mais verdes para o sustento das suas ovelhas. Também procura águas limpas para que o rebanho possa beber e se refrescar. Essa função revela o cuidado que o pastor tem com as necessidades básicas das ovelhas. Por isso o salmista diz que, tendo o Senhor como nosso pastor, nada pode nos faltar. Ele conhece as nossas necessidades e já supriu a todas pelo seu poder.

Versículo 4: O pastor também é o responsável direto pela proteção das ovelhas. É ele quem caminha longas distâncias com o seu bordão, seja dia ou noite com as ovelhas, sempre atento para protegê-las de ladrões e animais que possam devorá-las.

Versículo 5: Por fim, o pastor é aquele que, com o seu cajado, cuida do seu rebanho para que nenhuma ovelha se perca e que coloca óleo quando elas estão feridas.

Se as Escrituras retratam a figura do mau pastor, também exaltam como em Deus podemos ser ovelhas seguras, que vivem tranquilas e bem cuidadas.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Os deveres do pastor: comparativo por meio pastor de ovelhas

 Ezequiel 34:4


O pastor de ovelhas na Bíblia é uma representação do indivíduo que lidera pessoas para Deus. Se a liderança é comparada a um pastor, nós somos comparados a ovelhas. 

Utilizando deste comparativo, o profeta Ezequiel traz uma palavra de juízo aos líderes da época, denominado por ele de pastores, explicando que eles estavam maltratando e explorando o povo, em vez de cuidar deles.

Nesse contexto, ele traz cinco atitudes não praticadas pelos líderes, que nos fazem refletir acerca das responsabilidades de um pastor, as quais são dadas pelo próprio Deus.

Fortalecer as ovelhas fracas: um tipo de indivíduo que procura as igrejas são pessoas que estão fracas na fé, que querem desistir do Evangelho ou que acreditam em heresias que são ouvidas por aí. Essas pessoas precisam do fortalecimento da Palavra, para futuramente também ajudarem outros que possam passar pela mesma situação. 

Curar os doentes: a cura divina quem dá é Deus, mas Ele nos usa como instrumentos para orar por alguém. Sobre os pastores também recai essa responsabilidade, de orar por todos aqueles que se acham enfermos, fisicamente ou espiritualmente. 

Enfaixar as ovelhas quebradas: um membro superior ou inferior quebrado precisa ser enfaixado para aos poucos retornar ao seu movimento normal. Muitos chegam feridos na igreja, seja pelo mundo ou até mesmo por outros ministérios eclesiásticos. É preciso que o pastor se revista da unção para ajudar aqueles que estão feridos.

Trazer as ovelhas desgarradas: muitas ovelhas saem do seu bando e depois se perdem na mata. As ovelhas que estão afastadas da comunidade da fé precisam de acolhimento e não condenação. Aos poucos a cura vem, até que ela seja completa.

Buscar a ovelha perdida: algumas ovelhas não saem apenas do bando, mas vão para muito longe, em lugares onde correm perigo. É preciso que o pastor possa buscá-la, mesmo ela estando nos piores lugares.

Pastorear não é uma tarefa fácil. Exige dedicação, amor pelo que faz e desejo de cuidar das ovelhas. Cristo é o nosso bom pastor. Ele faz o papel de pastor perfeito, que cuida de nós como suas melhores ovelhas.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O ressoar da Palavra de Deus em nós

 Texto de referência: Ezequiel 33:30-33


Muitos profetas registraram nas Escrituras a Palavra de Deus ao seu povo. Jeremias,  Daniel, Ezequiel e muitos outros viviam a proclamar a mensagem de Deus, em sua maioria, de condenação ao povo, pois o pecado se agravava muito entre as pessoas. 

Todavia, apesar da mensagem dos profetas, o povo de Israel continuava em sua rebeldia. Em uma de suas mensagens, o profeta Ezequiel relata como o povo estava cego quanto aos seus pecados, acreditando que se Abraão herdou a terra, por serem descendentes de Abraão, a posse deles estava segura, independente da obediência deles a Deus. 

O povo até ouvia as palavras ditas pelo profeta, mas não praticavam. Usando uma comparação, o Senhor disse ao povo que era como se a voz do profeta fosse para eles apenas como uma música suave, boa de se ouvir, mas sem ser colocada em prática. 

Em nossos dias, devido às facilidades geradas pela tecnologia, temos ouvido por diversas formas a Palavra de Deus. Seja de forma online ou presencial, a Bíblia tem sido falada por várias pessoas de diversas maneiras que são bastante atrativas. Entretanto, para alguns a palavra até parece agradável, fazendo se sentirem bem, entretanto não resulta na prática dela.

Mas assim como Deus alertou de que quando a palavra dita por Ezequiel se cumprisse eles comprovariam que aquelas não eram apenas meras palavras, mas a verdade que saía do próprio Deus, nós também podemos refletir que as palavras ditas por Deus não são apenas palavras, mas uma verdade que se cumprirá, independente da nossa vontade.

Nós não podemos negligenciar as Escrituras, mas precisamos nos atentar a ela para a cumprirmos. O apóstolo João caracterizou as palavras de Deus como doces no paladar, mas amargas no estômago (Apocalipse 10:9). A Palavra precisa produzir em nós uma reflexão que culmine em mudança de vida. O incômodo necessário que a Palavra produz é o que nos fará sair do nosso comodismo em busca de viver a santidade das Escrituras.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Quando Jesus nos desafia ao novo

 Texto de referência: Marcos 4:35-41


A passagem em que Jesus dorme em meio a tempestade é recheada de aprendizados. Aqui no blog eu já teci algumas considerações sobre ela, mas me parece que a cada vez que nos deparamos com este texto nas Escrituras, novos aprendizados surgem.

Quando Jesus diz aos seus discípulos,  “Vamos passar para a outra margem”, os discípulos não poderiam imaginar que surgiria uma tempestade no meio desse percurso.

Quando Jesus nos desafia ao novo nós também não sabemos o que virá pela frente, e muitas vezes enfrentamos tempestades. Passar para a outra margem era uma travessia, significava a mudança de ambiente. Durante o nosso percurso na vida, também encaramos situações onde precisamos mudar. Seja fisicamente ou espiritualmente,  acredito que todos já precisamos sair da nossa condição atual para encarar uma nova realidade. 

Mas algumas vezes durante esse percurso rumo ao novo nós enfrentamos tempestades, adversidades que dificultam a nossa chegada.

Mas esse texto bíblico nos ensina que independente do tamanho do obstáculo, se Deus nos chamou a passar para a outra margem, é porque ele irá nos sustentar e proteger para chegar lá. 

Jesus dormiu durante a tempestade, pois sabia do seu pleno controle sobre a situação.  Por fim, deu ordem ao vento e à tempestade para cessarem. E assim Ele nos mostrou que se ele está no barco não precisamos temer o fim.

Se somos chamados a um novo tempo,  precisamos confiar que Jesus já preparou a nossa chegada ao destino final. Confiar durante o processo também faz parte da caminhada.