terça-feira, 15 de setembro de 2026

Mês de Quisleu e Nisã

 Texto de referência: Neemias 1:1-4; 2:1-8


Quando o povo de Israel foi levado cativo para a Babilônia, os exilados ficaram a serviço da corte real. Um desses servos era Neemias, um judeu que foi levado para a Babilônia e se tornou copeiro do rei Artaxerxes na cidade de Susã.

Certo dia, no mês de quisleu, Neemias se encontrou com um judeu chamado Hanani que vinha de Judá. Ele deu a Neemias notícias dos poucos judeus que restaram em Jerusalém, os quais estavam enfrentando uma situação de extrema miséria e vivendo em uma cidade completamente destruída. 

Ao saber dessa situação, Neemias se põe a chorar. Ele inicia um período de jejum e muitas orações em favor do povo, para que Deus concedesse a ele oportunidade perante o rei de ir visitar o seu povo.

Passados alguns meses, já no mês de Nisã, ao chegar como de costume para oferecer o vinho ao rei, este pergunta a Neemias porquê ele estava com o semblante triste. Neemias conta a história do seu povo de origem e pede a Artaxerxes a oportunidade de ir a Jerusalém ajudar na reedificação da cidade. O rei concede a Neemias o seu pedido e assim ele inicia junto a um grupo de judeus o processo de reedificação de Jerusalém. 

A história continua mas eu gostaria de destacar o período ocorrido entre o momento que Neemias fica sabendo da situação miserável que estava em Jerusalém (o mês de Quisleu), bem como inicia o período de jejum e oração até o momento em que Deus responde ao seu pedido (o mês de Nisã).

Quisleu representa os meses de novembro e dezembro, onde há o inverno em Israel com períodos frios e chuvosos. Nisã representa o mês da primavera em Israel, ou o tempo da colheita. É também nesse período que se comemora a Páscoa judaica, representando a libertação dos judeus do Egito.

Entre o período em que Neemias ficou sabendo até o momento que seu pedido foi atendido se passaram vários meses. A resposta de Deus àquele homem não foi imediata, mas ele permaneceu em jejum e oração. 

Essa história nos ensina que nem sempre seremos atendidos no momento em que pedimos, mas Deus está conosco ouvindo as nossas petições e no tempo determinado por Ele, irá nos responder.

Às vezes vamos pedir no inverno, mas o tempo da primavera irá chegar, onde veremos a colheita. Só não podemos desistir, mas clamar com fé que Ele nos ouvirá. O Nissan ainda vai chegar. 


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

A porta do templo não é o nosso lugar

 Texto de referência: Atos 3:1-10


O livro de Atos nos conta a história de um homem coxo, isto é, uma deficiência que não lhe permitia caminhar, a qual lhe fazia pedir esmolas na porta do templo de Jerusalém, denominada Formosa.

Essa porta ficava em um acesso no interior do templo, e como recebia um fluxo muito grande de pessoas, costumava ser um espaço para mendigos pedirem ajuda.

É nesse lugar que ficava um homem de mais de 40 anos, mas que vivia na miséria, necessitando ser ajudado pelos outros. Naquele dia, ele pediu ajuda a João e a Pedro. Este último, indignado com a situação miserável do homem, lhe concede uma palavra de cura e o homem, curado e caminhando, entra no templo louvando a Deus. 

Um fato interessante nessa história que me chamou a atenção é que aquele homem estava na porta do templo, um lugar de milagres e cura, mas estava mendigando. Ao invés de entrar e buscar o Deus que poderia lhe curar, ele preferia ficar à porta, como um mendigo.

Após a cura física, os olhos espirituais dele se abriram e ele entrou no templo.

Quantas pessoas estão fisicamente dentro do templo, mas espiritualmente estão à porta do templo, esperando uma esmola, enquanto poderiam estar dentro do templo, desfrutando de uma vida de milagres? Eles vêem as pessoas recebendo a bênção, mas permanecem “na porta”, isto é, ouvindo as mensagens, cantando hinos, mas sem receber a cura, a libertação ou o milagre de que necessitam.

A mensagem de Jesus para nós hoje, é para que possamos sair da porta do templo, adentrar o Santo dos Santos e desfrutar o melhor de Deus. Na porta não é o nosso lugar, Deus nos quer perto dele desfrutando a vida de filhos que Ele tem para nós. 

Aquele coxo recebeu a cura e se libertou, que possamos sair do lugar de miséria e dor, e entrar para o lugar de cura, alívio e presença que Deus tem para nós. 


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Reflexões sobre a salvação da nossa família

Texto de referência: Nas tendas do justo há voz de júbilo e de salvação. Salmos 118:15


Existem palavras na Bíblia que são promessas, mas existem palavras na Bíblia que são princípios. Vamos à explicação. Promessas são palavras de Deus ditas a nós que nos levam a alcançar uma petição ou algo que é a vontade soberana de Deus para nós. Quando Deus faz uma promessa, Ele espera de nós duas coisas: obediência a Ele e fé para alcançar o prometido.

Já os princípios são palavras ditas por Deus que vão além de promessas, estão baseadas em algo que Ele estabeleceu. É como se fosse uma relação causa e efeito, ou o “se…então “ da matemática. 

E a salvação da família do crente eu considero muito além de uma simples promessa de Deus, mas um princípio. 

Quando Zaqueu se converteu, Jesus disse: “Hoje veio a salvação a esta casa”. Lucas 19:9 Quando o carcereiro que era responsável por Paulo e Silas se converteu e perguntou o que ele poderia fazer para ser salvo, Paulo respondeu: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa.” Atos 16:31

Ambos os homens foram salvos, mas a palavra se estendeu às suas famílias. É nesse sentido que eu acredito que a salvação das nossas famílias vai muito além de uma promessa de Deus, mas é algo que está atrelado à nossa salvação. 

Voltando a relação do Se…Então, se somos salvos, então a nossa família também é salva. Que neste dia possamos receber em nosso coração essa convicção e viver debaixo da paz do Senhor, sabendo que n'Ele a nossa família está salva.


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

A outorga do Espírito

 Textos de referência: Atos 5:32, Romanos 5:5


Ao pesquisar o significado da palavra outorga nos sites de busca temos que “No contexto jurídico e administrativo, refere-se à concessão de um direito ou autorização formal concedida pelo Poder Público ou por uma pessoa para que outra aja em seu nome ou realize algo.” Na Bíblia temos duas menções a palavra outorga, ambas relacionadas ao Espírito Santo. 


Romanos 5:5: "...o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.”

Atos 5:32 "Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem."


Pelo contexto da Palavra e seu significado, podemos abstrair que quando cremos em Jesus recebemos uma espécie de concessão do Espírito em nós. A partir do momento que recebemos o Espírito nós podemos agir por meio e em nome dele. E a ação do Espírito Santo é uma ação de poder pois o próprio Jesus disse "Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra” Atos 1:8

Isso é uma grande revelação para nós, pois se o Espírito Santo nos concede o poder de sermos testemunha de Jesus e recebemos a sua presença quando cremos em Jesus, compreendemos então o porquê da palavra outorga estar relacionada ao Espírito.

O Espírito Santo em nós é como uma licença adquirida, enquanto obedecemos a Jesus temos a ação dele em nós. Porque não desfrutamos ainda dessa verdade? O Espírito habita em nós, temos o poder dele atuando em nós, somos testemunhas de Jesus. Esse é um tesouro espiritual do qual não podemos abrir mão. 


sábado, 29 de agosto de 2026

Deus quer te dar aquilo que o seu coração anseia?

 Texto de referência: “Mas Jesus, sabendo disto, afastou-se dali. Muitos o seguiram e a todos ele curou.” Mateus 12:15


Todos nós temos um anseio dentro do nosso coração. Ainda que momentaneamente tudo vá bem em nossa vida, há sempre algo que pedimos a Deus. E muitas vezes a pergunta do nosso coração é: será que Deus quer me atender?

A melhor resposta para essa pergunta eu acredito que é: depende daquilo que o seu coração está pedindo. Os nossos anseios devem passar por algumas peneiras.

Primeiro, o seu pedido é algo lícito, que agrada a deus? Se a resposta for sim, existe uma grande possibilidade de Deus ouvir sua petição. 

Segundo, o seu pedido é algo que fará bem para você? Existem coisas que, apesar de serem lícitas, não farão bem para nós, um exemplo clássico é o dinheiro. Nem todas as pessoas sabem lidar com muito dinheiro, se para algumas ele pode ser benéfico, para outras ele pode ser uma armadilha. Mas outras situações também podem se encaixar nesse quesito, por exemplo, um casamento com a pessoa errada, uma mudança de cidade ou de emprego, dentre outros.

E por último, precisamos saber se o que pedimos é de fato a vontade de Deus para nós. E essa resposta só obtemos pela Palavra. No livro de Mateus existe um versículo que nos conta que Jesus se afastou de Jerusalém por saber que algumas pessoas planejavam matá-lo. Todavia muitas pessoas o seguiram e a todos Ele curou. Eu fiquei imaginando, será que todos ali tinham enfermidades? Acredito que não, mas problemas certamente todos tinham, e Jesus ajudou a todos. Quando seguimos e confiamos em Jesus podemos crer que se o desejo do nosso coração é agradável a Deus e está de acordo com a sua vontade Ele irá nos atender.



terça-feira, 18 de agosto de 2026

Um Mar, uma Muralha e um Gigante

 Textos de referência: Êxodo 14, Josué 6, 1 Samuel 17

Nós cristãos não lemos a Bíblia por acaso, mas lemos porque sabemos que nela iremos encontrar direção para a nossa caminhada e forças para não desistir. Os exemplos contidos na Palavra são a base para as situações que também enfrentamos.

Quando os israelitas foram libertos da escravidão egípcia, eles se depararam com um mar no meio do caminho. Humanamente não havia como atravessar um mar, mas Deus fez ele se abrir e o povo passar a seco. O que Moisés fez? Tocou com o seu cajado no mar e ele se abriu.

Quando 40 anos depois eles foram tomar posse da terra de Canaã havia diante deles as muralhas de Jericó. Por sete dias eles rodearam a muralha e no sétimo eles a rodearam por sete vezes, louvando a Deus. As muralhas então caíram e aquele povo entrou na cidade.

Centenas de anos depois, novamente o povo de Deus estava ameaçado, agora por um gigante de três metros que queria derrotar o exército israelita. Deus usa um jovem, sem qualquer experiência militar para, com um estilingue, lançar cinco pedrinhas no gigante que caiu praticamente sem vida.

Três obstáculos intransponíveis para os homens, mas que foram superados com a ajuda de Deus. Mas em todos eles, vemos que Deus usou um homem e um instrumento para batalhar. Nós existimos como instrumentos nas mãos de Deus para vencer circunstâncias adversas. É Deus que derruba o obstáculo, mas Ele nos usa como auxiliadores.


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Bartimeu, o homem que decidiu não ser mais mendigo

 Texto de referência: Marcos 10:46-52


A mendicância é uma das situações mais tristes e humilhantes que pode acometer um indivíduo. Viver na rua, tendo pouco ou nada para comer e vivendo de modo invisível aos olhos das pessoas. Uma situação que ninguém gostaria de enfrentar, mas que em torno de 150 milhões de pessoas por todo o mundo enfrentam (dados de 2026).

A Bíblia nos conta sobre um mendigo, cujo nome era Bartimeu. Durante a sua vida ele ficou cego, e provavelmente essa deficiência tenha sido a causa dele viver nessa situação miserável, afinal, a sua condição física o impedia de trabalhar.

Mas um dia Bartimeu viu a chance de mudar a sua situação. Ele já havia ouvido falar de Jesus, e sabia que Ele já havia curado muitos doentes, inclusive muitas pessoas cegas como ele. E naquele dia Jesus passava em sua cidade, Jericó, e como na maioria das vezes, vinha cercado por uma multidão.

Foi então que Bartimeu tomou a firme decisão de que ele iria até Jesus para receber a sua cura. Mas não seria fácil, pois com tanta gente pela rua, como ele sendo deficiente visual, poderia se aproximar do Mestre? A sua melhor opção seria gritar por Jesus, até que Ele o ouvisse.

Bartimeu então começa a gritar: “Jesus Filho de Davi, tenha compaixão de mim.” Mas algumas pessoas ao redor começaram a se incomodar com o grito daquele homem, e ao verem que Jesus não lhe respondia, começaram a exigir dele que parasse de gritar.

Mas Bartimeu foi insistente. Ele não parou de gritar, pelo contrário, gritou ainda mais alto. A sua dor era muito grande para ele desistir tão rápido. Aquela era a sua única chance de sair daquela vida miserável. E Jesus correspondeu à fé do homem cego. Ele pediu para que as pessoas trouxessem Bartimeu, e após um breve diálogo, Jesus tocou nele e ele ficou curado.

Bartimeu então tirou a sua capa de cego e caminhou junto com a multidão, seguindo Jesus. Tecnicamente, podemos dizer que Bartimeu era agora um ex-mendigo. Ele estava de volta à sua vida social, poderia trabalhar e viver feliz, seguindo a Jesus.

Essa mensagem veio à minha mente após ver um mendigo bem conhecido do meu bairro, que vive escravo da miséria, mesmo tendo possibilidades de sair dela. E a história de Bartimeu nos ensina que ninguém precisa viver mendigando a vida toda. O mesmo Jesus que salvou Bartimeu é poderoso para salvar qualquer um que se decida por sair da miséria em que vive. Ele é o mesmo, ontem, hoje e sempre (Hebreus 13:8).