quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Pouco nos é necessário

 Texto base: Lucas 10:38-42


Vivemos em uma sociedade onde a correria tem nos dominado. O trabalho, os filhos, as tarefas domésticas, tudo tem tomado nosso tempo. São muitos afazeres e as horas do nosso dia se vão rapidamente. Mas essa correria não é apenas nos nossos dias. 

O texto de hoje conta a história de uma mulher que nos tempos de Jesus também vivia dessa forma. O nome dela é Marta, uma mulher hospitaleira, que teve a honra de hospedar em sua casa o Filho de Deus. Ela queria dar-lhe o melhor, para isso, se agitava de um lado para o outro com muitos afazeres.

Marta se incomodou quando viu que sua irmã Maria, ao invés de ajudá-la a fazer as tarefas da casa para acolher melhor a Jesus, estava sentada somente ouvindo-Lhe. Então foi reclamar com Jesus. 

O Mestre sabia das boas intenções de Marta, mas precisava ensinar-lhe o que era certo. Com muito amor mostrou-lhe que Maria estava correta. Não adiantava agitar-se e preocupar-se com muitas coisas, pois pouco era necessário.

Marta agradaria mais a Jesus se estivesse como Maria, aprendendo mais Dele. Jesus não precisava de uma casa perfeitamente limpa, linda ou luxuosa. Também não precisava de grandes banquetes. Ao contrário, precisava de pessoas dispostas a ouvi-lo, obedecê-lo e propagar a sua mensagem a outros.

Qualquer semelhança dessa palavra aos nossos dias não é mera coincidência. Também hoje Jesus não precisa de grandes coisas, mas apenas que o nosso coração seja somente Dele. Às vezes é preciso parar tudo o que estamos fazendo para escutá-lo. É preciso largar tudo e segui-lo (Lucas 5:11). Pouco nos é necessário, mas esse pouco é suficiente para nos revelar vida plena e abundante no Senhor.

Os discípulos de Emaús

 Texto-base: Lucas 24:13-35


A história de hoje traz o relato de dois discípulos que após a morte de Jesus andavam até uma aldeia próxima a Jerusalém denominada Emaús. Estes dois discípulos não estavam entre os doze apóstolos, mas eram considerados discípulos de Jesus. 

Enquanto iam para Emaús, Jesus começou a caminhar ao lado deles, mas eles não O reconheceram, pois seus olhos estavam impedidos. Muitas vezes estamos andando ao lado de Jesus, mas não conseguimos enxergá-Lo.

Qual era o impedimento dos olhos daqueles discípulos? Os fatos, as circunstâncias. Após a morte de Jesus eles não mais acreditavam que Ele era o Messias, agora O viam apenas como um profeta que, apesar de ser um homem de Deus, morreu como qualquer outro. Como ocorreu com aqueles dois indivíduos, muitas vezes as circunstâncias diminuem Deus e o Seu poder diante dos nossos olhos. 

Jesus lhes falou sobre o Evangelho, o coração daqueles homens ardeu, todavia eles ainda não O haviam reconhecido. Mas as coisas começaram a mudar após eles pedirem a Jesus para entrar em casa com eles. Quando Jesus entrou, eles se assentaram à mesa, e no momento do partir do pão os olhos deles se abriram e eles O reconheceram.

Aqueles homens só reconheceram a Jesus quando buscaram intimidade com Ele, chamando-O para entrar em sua casa e convidando-O para estar com eles à mesa.

Não adianta somente andar com Jesus, é preciso convidá-lo a entrar em nossas vidas de verdade.

Quando eles reconheceram a Jesus, ele desapareceu fisicamente da presença deles, mas ali permaneceu em seus corações. Aqueles homens estavam a partir dali entendendo o verdadeiro Evangelho, o propósito da vinda de Jesus ao mundo.

Talvez aqueles homens estivessem indo a Emaús para se refugiarem e se esconderem dos perseguidores daqueles que criam em Jesus, mas a partir daquele momento voltaram aos seus postos como discípulos, voltaram a Jerusalém onde era o verdadeiro lugar deles, voltaram para sua missão.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Com qual tipo de material temos construído a nossa vida?

 Texto-base: 1 Coríntios 3:10-17


O fundamento ou o alicerce de uma construção é aquilo que a segura de pé. Uma fundação mal construída dará condições para que a casa futuramente desabe. Paulo utiliza essa ilustração para comparar a nossa vida cristã. Após recebermos Cristo em nossas vidas, Ele se torna o nosso fundamento, a nossa base, e a partir dela iremos construir a nossa vida cristã.

Entretanto, o Senhor nos exorta a observarmos quais tipos de materiais temos utilizado na construção da nossa vida. Podemos edificá-la com ouro, prata, pedras preciosas, mas também podemos edificá-la usando madeira, feno ou palha. Independente do modo ao qual edificamos, no dia do juízo final todas as nossas obras se tornarão manifestas e serão julgadas.

Paulo utiliza a figura do fogo para demonstrar que tipo de julgamento nossas atitudes enfrentarão. Se apesar do fogo as obras permanecerem de pé, então o cristão receberá o seu galardão. Se as obras se queimarem, não haverá galardão, mesmo assim o cristão será salvo.

O que está em discussão aqui não é o pecado. A partir do momento em que o cristão se rende ao pecado ele está abdicando da sua salvação. Paulo se refere aqui às nossas atitudes rotineiras enquanto cristãos. Durante toda a nossa vida estamos edificando algo. Todos os dias temos a oportunidade de colocar tijolos nessa construção. Cabe a nós sabermos qual o tipo de material estamos utilizando para construirmos nossa vida, se materiais perecíveis ou imperecíveis.

A palha, o feno ou a madeira são facilmente queimados no fogo, enquanto que o ouro, a prata ou as pedras preciosas resistem a altíssimas temperaturas. Muitas vezes temos vivido como se a vida terrena fosse eterna. As preocupações com este mundo nos envolvem de tal forma, que esquecemos que a eternidade é após essa vida. É para lá que temos que nos preparar, é para a eternidade que devemos ajuntar riquezas.

Temos abandonado as práticas cristãs, a leitura bíblica diária, a oração fervorosa, os jejuns constantes, para ficarmos mais tempo nas redes sociais, nas plataformas de streaming, nos clubes e pizzarias. Estamos construindo a nossa vida cristã de qualquer forma, convencidos de que apenas ser salvos basta, abrindo mão do nosso galardão eterno por causa de prazeres terrenos.

O pecado é um grande obstáculo, mas as distrações também têm roubado a vida com Deus de muitos cristãos. Somos santuário de Deus, o Espírito Santo habita em nós e cabe a nós cuidarmos dessa construção. Fundamentados em Cristo e utilizando materiais imperecíveis, o fogo não nos destruirá.

domingo, 27 de dezembro de 2020

A obediência da sunamita e o cuidado de Deus na sua vida

 Texto-base: 2 Reis 8:1-6


Nos tempos de Eliseu havia uma mulher que habitava na cidade de Suném. Ela e sua família se tornaram amigos de Eliseu. Abrigaram o profeta em sua casa e estavam sempre em contato com ele. Mas a maior relação daquela mulher era com o Deus de Eliseu. Ela servia a Deus e cria Nele. Aquela sunamita (assim era denominada por habitar em Suném) tinha experiência com Deus. O maior testemunho de fé da sua vida foi o filho que Deus lhe deu por duas vezes: a primeira quando ele nasceu, haja vista ela ser estéril, e a segunda quando ele ressuscitou, após ter sentido uma forte dor na cabeça e morrido (2 Reis 4:8-37).

Agora, já com seu filho crescido, aquela mulher enfrenta outra situação difícil: sete anos de fome estavam chegando sobre o território de Israel. Mas Deus revela esse fato a Eliseu que avisa a sunamita para que ela pudesse ir morar em outro lugar até que a fome acabasse.

Passados os sete anos a mulher volta e acha sua terra ocupada, provavelmente pela família real que se apoderava de terras abandonadas.

Ela então, sempre decidida, vai até o rei lhe rogar pela devolução das suas terras. Ao chegar lá, ela encontra o rei e Geazi servo de Eliseu, contando exatamente acerca da história da ressurreição do seu filho. Quando o rei fica sabendo que aquela era a mulher da qual estavam falando, ele ordena que fossem devolvidas àquela mulher as terras tomadas, e não apenas as terras, mas toda a produção gerada por aquele campo desde a sua partida até aquele momento.

A história dessa mulher retrata o cuidado de Deus com aqueles que são fiéis a Ele. Quando a sunamita saiu com a sua família do território de Israel ela não estava obedecendo a Eliseu, mas seguindo uma direção de Deus para a vida dela. E a partir da sua obediência, Deus cuidou dela em todos os momentos. Quando ela voltou para Israel, Deus não a desamparou, pelo contrário restituiu a ela tudo o que era dela, com acréscimos.

Essa é a recompensa de uma vida consagrada a Deus. Relacionamento com Ele e obediência às suas ordens resultam no cuidado de Deus para conosco, em todo tempo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Santidade para contemplar as maravilhas de Deus


 Texto-base: Josué 3:5

"Disse Josué também ao povo: Santificai-vos, porque amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vós."


O povo de Israel durante toda a sua passagem pelo deserto esperava apenas por um só dia, aquele quando eles entrariam na terra prometida. E agora esse dia estava cada vez mais próximo. Quando eles chegam próximo a Jericó eles se deparam com um obstáculo: o rio Jordão. Mas Deus já havia aberto o mar alguns anos atrás para eles passarem, será que não usaria o Seu poder para também abrir um rio?

Deus então ordena a Josué, líder do povo, que eles se santificassem, pois no próximo dia, Deus faria maravilhas entre eles. É interessante a ordem de Deus para o povo se santificar, pois Ele poderia dizer: "Tenham fé porque amanhã Eu farei maravilhas no meio de vós", mas Ele ordena ao povo outra coisa: que se santifiquem.

Em Hebreus 12:14 diz que sem santidade ninguém verá o Senhor. Deus não habita com o pecado, portanto, não podemos achar que veremos o Seu agir se a nossa vida estiver tomada pelo pecado.

Mas outro fato interessante é que Deus diz que amanhã faria maravilhas no meio do povo. Era preciso dar àquele povo o tempo necessário para a santificação. Ele não começaria a agir naquele mesmo dia, primeiro eles deveriam se santificar e então veriam o agir de Deus.

Estamos querendo ver milagres vivendo o cristianismo de qualquer forma. Deus não compactua com o pecado. Ele é Santo, a Sua natureza é de santidade, ele é adorado pela Sua santidade e diz que à Sua casa convém a santidade.

Deus se agrada de um viver santo, pois a santidade é o que nos diferencia do mundo e nos confirma como Seu povo. Os israelitas tiveram que se santificar para enxergarem as maravilhas de Deus. Da mesma forma, se quisermos contemplar as promessas de Deus em nossa vida, não precisamos apenas ter fé, também devemos viver a santidade. "Sereis santos, porque Eu sou santo" (Levíticos 11:45).



quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Crer com o coração e confessar com os lábios

 Texto-base: Romanos 10:9

"Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo;"


Como cristãos a salvação deve ser o nosso maior alvo. O versículo acima nos demonstra como podemos estar salvos. Não que precisamos fazer alguma coisa para ser salvos, pois ela vem pela graça, mas algumas atitudes demonstrarão que alcançamos a salvação.

A primeira atitude é confessar com a nossa boca que Jesus é o nosso senhor. Isso não significa apenas ir a frente da igreja quando o pastor faz um apelo, mas com o nosso testemunho demonstrar ao mundo que Jesus é o dono das nossas vidas e que andamos sob a direção Dele.

A segunda atitude é crer em nosso coração que Deus ressuscitou a Jesus dentre os mortos. Em provérbios 4:23 diz que se há algo que devemos guardar, deve ser o nosso coração, pois é dele que procedem as fontes da vida. Dentro do coração está aquilo em que acreditamos. Crer de coração que Deus ressuscitou a Jesus não é apenas acreditar na história narrada pela Bíblia, mas é crer no significado da ressurreição de Jesus.

O que representa a ressurreição de Jesus para a humanidade? A ressurreição de Jesus representa a salvação. O poder de Jesus sobre a morte revelou a soberania de Deus sobre aquilo que as pessoas consideravam ser o fim de tudo (Romanos 8:9). O fim não está na morte, há uma eternidade após ela, e para os que crêem de coração em Jesus, a morte representa apenas o início de uma nova vida.

Ainda, sabemos que o pecado gera a morte. Quando Jesus venceu o pecado, Ele destronou também o poder do pecado sobre nós (Romanos 8:10).

Isso significa que aquele que crê de coração na ressurreição de Jesus vive conforme essa crença: de que há uma vida eterna após essa terra e que não estamos sob o domínio do pecado.

O principal impasse é que existem muitos que confessam a Jesus com a boca, mas o coração está longe Dele. Assim eram os religiosos da época de Jesus. Quem os via externamente, acreditava que eles eram exímios servos de Deus, mas por dentro, eles alimentavam todo tipo de sentimento pecaminoso. Dentro das nossas igrejas vemos muitos confessando a Jesus, mas quando não estão cercados de pessoas, destilam maldade.

Outras pessoas confessam Jesus no coração, entendem o significado da Sua ressurreição, mas tem vergonha ou medo de proclamar isso com os seus lábios. E assim vivem escondidos na fé, amando mais a glória do mundo do que a glória de Deus.

Não existe parcialidade. Temos que crer no coração e confessar com a nossa boca. Só assim obteremos a graça que nos levará à salvação em Cristo, o principal motivo da nossa esperança nessa vida.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

A luta da carne contra o espírito

 Texto-base: Romanos 7:14-25 e 8:1-3


O apóstolo Paulo, um homem que viveu para Deus e para o ministério também enfrentou muitas dificuldades em sua vida. No capítulo sete de Romanos ele apresenta a sua luta para vencer um inimigo: o pecado. Ele tinha consciência de que pela sua natureza humana, o seu corpo era escravo do pecado. 

Ele alega não compreender o seu modo de agir, pois o que ele queria fazer, não fazia, mas as práticas que ele odiava, essas ele praticava. Em seu interior, havia vontade de praticar a Palavra, mas em seu corpo havia um desejo contrário, de praticar o pecado. E assim havia uma guerra do corpo contra o espírito, dos seus membros contra a sua mente.

Por todas essas batalhas, o apóstolo Paulo se considera um desventurado (miserável em outras traduções), por se achar escravo do pecado em seu corpo.

Essa luta enfrentada pelo apóstolo Paulo é a mesma vivida por todo cristão. Nós os que nascemos em Cristo sabemos o que é o pecado, e no fundo não queremos praticá-lo, mas ainda cedemos a muitas tentações. Por exemplo, ficar irados, aborrecidos por qualquer coisa é uma estupidez, sabemos disso e queremos ser sempre brandos, mansos, mas quando somos afrontados muitas vezes ainda revidamos. Esse é apenas um exemplo de muitas outras situações que enfrentamos em que a carne luta contra o espírito.

E assim se forma uma batalha dentro de nós, entre o espírito que anseia a santidade, e a carne que deseja resolver tudo do nosso jeito. Mas temos uma esperança: estamos justificados em Cristo. O Seu sacrifício na cruz nos libertou da escravidão do pecado. Se a nossa carne é escrava do pecado, o nosso espírito é livre para Deus, e para aqueles que estão em Cristo já não há condenação. Mas esse fato não nos isenta de sermos tentados.

Se o próprio Jesus foi tentado, não podemos escapar dessa dificuldade. A nossa luta contra o pecado só se findará quando sairmos desse corpo de corrupção e sermos revestidos do corpo de glória, o qual nos será dado na ressurreição dos mortos. Mas até que isso se cumpra, podemos ter a certeza que mesmo lutando diariamente contra o pecado, não somos escravos dele, mas somos livres em Cristo.