sexta-feira, 14 de abril de 2023

Neemias


O livro de Neemias me surpreende. A história dele retrata a vida de um homem que amou a Deus demonstrando amor ao seu povo. Neemias era copeiro do rei da Babilônia, na época, Artaxerxes. Apesar de exilado, ele nunca havia entrado triste na presença do rei. Essa é a primeira característica marcante desse homem. Alguém que, apesar de estar em terra estranha, estava sempre de bem com a vida.

Quando Neemias fica sabendo da situação de Jerusalém, ele se compadece do seu povo e assim começa a sua saga para voltar à sua terra de origem. Com ousadia do Espírito Santo, ele pede ao rei permissão para voltar a Jerusalém e este lhe concede o seu desejo.

Neemias volta, é nomeado governador de Judá e lá começa a reconstruir o muro da cidade de Jerusalém, que havia sido derrubado com a invasão babilônica. Recebe todo tipo de oposição para não continuar, mas nenhuma lhe impede. A oposição é tanta, que Neemias junto com os seus homens precisam trabalhar armados e utilizar suas armas até na hora de dormir.

Todavia, nada abate ou intimida Neemias que sempre recorre ao Senhor quando é afrontado. Não se deixa exaltar pela sua posição enquanto governador e exerce o seu ofício com autoridade e desprendimento.

Esse texto curto não contempla todas as virtudes que encontramos em Neemias, mas nos mostra um pouco do homem de caráter e temor ao Senhor que ele foi. Nos deixou diversos legados, um deles foi como governar de forma justa e eficiente.

terça-feira, 21 de março de 2023

Isaque, um homem de fé


Quando lembramos de Abraão, uma palavra que nos vem à mente é fé. Abraão teve fé em Deus, as Escrituras são enfáticas ao declarar essa verdade. Aprendemos com a fé de Abraão, milhares de anos após a sua vida na Terra. Mas existiu alguém que teve a oportunidade de vivenciar de muito perto essa fé, que foi o seu filho Isaque.

Isaque conviveu com Abraão, aprendeu a orar com ele, participou do pedido inusitado de Deus para sacrificar sua vida, viu o anjo chegar e impedir Abraão de fazer aquilo, ouviu por algumas vezes seu pai contar o milagre do seu nascimento. Todas essas experiências fizeram com que Isaque também crescesse um homem cheio de fé.

Essa fé é refletida nas suas atitudes quando adulto, pois quando sua esposa Rebeca não lhe dava filhos por ser estéril, Isaque orou por ela por nada menos que vinte anos. E a Bíblia diz que Deus ouviu a oração de Isaque.

Isaque teve fé quando peregrinou na terra dos filisteus, e em meio a um período de fome, conseguiu colher cem vezes mais do que plantou. Foi algo tão extraordinária a prosperidade daquele homem, que o próprio rei reconheceu que Deus era com ele.

A fé de Isaque gerou um legado também aos seus filhos, pois seu filho Jacó também reconheceu Isaque como um homem de Deus, ao dizer a Labão que Deus era o Temor de Isaque (Gênesis 31:42).

Tudo isso nos faz reconhecer que não apenas Abraão, mas Isaque também foi um homem de muita fé, que nos deixou um rico legado de que podemos confiar no Senhor em todo o tempo.

sexta-feira, 17 de março de 2023

É tudo de (e pela) graça

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie." Efésios 2:8‭-‬9


Nada do que fazemos pode impressionar a Deus. Essa é uma frase difícil de ser assimilada por nós, pois vivemos em uma cultura onde somos ensinados a impressionar as pessoas em diversas áreas para obtermos as coisas. Com Deus, entretanto, é diferente. Por ser perfeito em tudo, nada é maravilhoso demais para Ele.

Mas para que precisamos saber disso? Porque sempre estamos tentando impressionar a Deus com nossas atitudes ou obras, achando erroneamente que tais coisas nos trarão o amor d'Ele ou a própria salvação.

Todavia, podemos questionar: se as nossas boas obras ou atitudes não nos salvam ou fazem com que Ele nos ame mais, o que nos trará isso? A resposta está na graça. A salvação existe pela graça e tudo o que Deus nos dá também.  A graça é um favor de Deus a nós, é algo nos dado gratuitamente, sem que Deus requeira de nós nada em troca.

Surge também outra questão: se as nossas boas obras ou atitudes não nos salvam ou fazem com que Ele nos ame mais, para que fazermos elas? Não impressionamos a Deus com o que fazemos, mas estamos debaixo da lei da semeadura, que diz que aquilo que o homem semear, ele colherá. Quando praticamos o bem, colheremos o bem, quando fazemos o mal, colheremos o mal. Além disso, fomos criados por Deus para boas, dessa forma, quando praticamos o mal, estamos em desacordo com o que Deus planejou para nós.

Entretanto, podemos estar certos de que, fazendo o bem ou o mal, o amor d'Ele por nós permanece o mesmo e a salvação que Ele nos dá não está condicionada às nossas atitudes. Se assim fosse, perderíamos facilmente ela, pois todos os dias pecamos.

Essa graça nos constrange, mas também nos conforta, pois sabemos que, apesar dos nossos erros, se nos arrependemos, existe um Deus cheio de amor de braços abertos a nos receber. Se o amor de Deus estivesse condicionado às nossas atitudes, Ele faria conosco o que fazemos às vezes com outras pessoas, nos lembraria dos nossos erros. Mas Deus não faz isso, quando nos arrependemos, Ele simplesmente vem e nos recebe com o mesmo amor de antes. Lembra do filho pródigo (Lucas 15:11-32)?

Diante de tudo isso, podemos nos deleitar na presença do Senhor e não mais viver cheios de ego próprio ou culpa. Mas certos de que devemos praticar o bem para colhermos o bem, mas descansar na graça para confiarmos na salvação que Jesus já nos deu e no amor com o qual diariamente somos presenteados.


segunda-feira, 13 de março de 2023

A transformação na vida de Zaqueu

Texto de referência: Lucas 19:1-10


A história de Zaqueu, apesar de tão conhecida e falada, sempre tem muito a nos ensinar. Zaqueu era um homem publicano, que trabalhava como chefe na coletoria de impostos do governo romano. Como naquele tempo o governo extorquia muito a população com impostos abusivos, eles tinham muita indignação com as pessoas que trabalhavam nesses cargos.

Certo dia, Zaqueu deseja ver quem era Jesus e para isso se esforça para subir em uma árvore para conseguir enxergá-lo. Na verdade, o coração de Zaqueu já estava de certa forma começando a se render a Jesus, faltavam apenas alguns ajustes.

Ao ver as atitudes de Zaqueu, Jesus demonstra o desejo de se aproximar daquele homem, e lhe revela que naquele dia, iria passear em sua casa. Foi a primeira etapa na transformação da vida de Zaqueu, Jesus entrar em sua casa. Após esse gesto, quando Jesus já estava na casa de Zaqueu, ele anuncia duas atitudes que fariam toda a diferença no relacionamento dele com o Senhor. A primeira foi dar aos pobres a metade de tudo o que tinha. Zaqueu era um homem bastante rico, e com essa atitude ele estava demonstrando que a ganância não pertencia mais ao seu coração.

A segunda atitude foi restituir quatro vezes mais às pessoas da qual ele havia extorquido bens. Tal atitude demonstrou que a corrupção não fazia mais parte da sua vida. Ambas as situações envolviam dinheiro e com elas Zaqueu estava demonstrando com atitudes que aquilo que era a sua principal tentação ao pecado já não fazia parte da sua vida. Zaqueu estava abrindo mão daquilo que o afastava do Senhor. E quando abandonamos o pecado, Deus se aproxima de nós. Nesse contexto, Jesus declara que a salvação havia chegado àquela casa.

O relato da história de Zaqueu só nos faz compreender que, quando nós abrimos o coração Jesus entra e faz morada, mas é preciso conserto de vida, isto é, que abandonemos os nossos pecados, dando especial atenção às áreas que mais nos fazem pecar. Quando tomamos atitudes assim, podemos ver não apenas a nossa vida transformada, mas também a nossa casa e família.

 

quinta-feira, 2 de março de 2023

O que significa a reconstrução do Templo de Jerusalém?

Texto de referência: Esdras 6:13-15


O templo de Jerusalém foi construído pelo rei Salomão, filho de Davi. Antes desse Templo, o local de culto era a tenda da congregação, nos tempos de Moisés, e depois o tabernáculo, nos tempos de Davi. A ideia original de construir um templo para Deus foi de Davi, que considerou que o Senhor era digno de habitar em algo cheio de esplendor, em vez do simples tabernáculo.

Todavia, Deus fez questão de explicar a Davi que Ele nunca habitou em nada construído pelas mãos humanas, inclusive, nem o próprio céu, em sua dimensão infinita pode caber o tamanho da Sua grandeza. Por que motivo então Deus aceitaria que alguém lhe construísse um templo? Para reunir em um único lugar um local de adoração e culto a Ele. O templo então, passou a ser o local de culto a Deus entre as pessoas que O serviam.

Entretanto, devido aos pecados do povo, inclusive a falta de reverência com o próprio Templo, a construção foi destruída alguns séculos após ter sido levantada. Tudo isso mostrou ao povo que, apesar de Deus se agradar do Templo, o verdadeiro motivo da adoração era Ele, e não o Templo em si, que sem a presença de Deus se tornava uma mera construção.

Após setenta anos destruído, o Templo volta a ser reconstruído por um remanescente de judeus que viviam na Babilônia e ainda temiam ao Senhor. Entretanto, não foi com a mesma riqueza daquele construído por Salomão. Era tudo muito mais simples, mas o real significado daquela reconstrução não era o Templo em si, mas aquele povo perceber que Deus estava dando a eles uma nova chance de reconstruírem a sua vida espiritual.

Da mesma forma que foi com o povo, Deus está frequentemente nos dando oportunidades de reconstruirmos coisas na nossa vida que foram destruídas. Pode não ser como antes, e não será, pois o passado não volta, mas isso não significa que não possa ser melhor. No processo de reconstrução, Deus está disposto a fazer a segunda casa mais gloriosa do que a primeira (Ageu 2:9).


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Moisés, a prefiguração de Cristo


Prefigurar significa representar antecipadamente uma missão. Em outro texto, já falei sobre Isaque ser essa prefiguração de Cristo quando ele foi levado ao lugar do sacrifício. Mas outros homens também prefiguraram Cristo na Bíblia, como Davi e Moisés. Neste texto, quero falar sobre como a missão de Moisés representou o que futuramente Cristo faria entre nós.

Moisés foi escolhido por Deus para ser o libertador do seu povo. Assim como Jesus, ele não veio da maneira esperada pelas pessoas. Jesus era o Messias tão aguardado, mas veio de forma simples. Moisés seria aquele que libertaria o seu povo, mas nasceu no território inimigo, pois era o filho adotivo de Faraó.

Moisés conduziu o povo no deserto rumo à terra prometida de Canaã. Jesus é aquele que nos conduz durante todo o nosso percurso nesta Terra, para ao final, herdamos a Canaã celestial, isto é, o céu.

Por fim, Moisés sofreu muito no meio do seu povo, sendo por várias vezes criticado e rejeitado por eles como líder. Apesar de tudo o que fez por eles, de ter doado os últimos quarenta anos de sua vida em favor do povo, ele foi por diversas vezes rejeitado por eles. Jesus também foi duramente rejeitado pelo seu próprio povo judeu, que não o aceitou como o rei deles. A própria Bíblia relata em João 1:11 que Ele "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam".

A missão de Moisés foi linda, pois aquele povo estava vivendo uma escravidão terrível e esse homem se dispôs a obedecer a Deus e ser o libertador deles, expondo em perigo a própria vida. Todavia, a escravidão vivida pelos hebreus era física. Nesse contexto, a missão mais linda de todas foi a de Jesus, que veio nos tirar da escravidão espiritual a qual estávamos submetidos pelo maligno. E essa libertação lhe custou a sua própria vida.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Quem foi Esdras?

Texto de referência: Esdras 7-10


Esdras foi um escriba, versado na Lei de Moisés, da descendência de sacerdotes, o qual estava entre os exilados na Babilônia. Quando os setenta anos do exílio se completaram, o rei Dario iniciou a reconstrução do Templo em Jerusalém e enviou alguns judeus de volta à sua terra para reconstruí-la. Nesse período de retorno dos judeus, Esdras foi enviado pelo rei Artaxerxes a Jerusalém.

A função de Esdras nesse retorno do exílio era ensinar ao povo a lei do Senhor, uma vez que eles, vivendo como exilados na Babilônia acabaram por perder esses ensinamentos. Essa função de Esdras foi designada pelo próprio rei, sendo que este ordenou que todo o povo aprendesse e seguisse os ensinamentos do Senhor. O rei também deu a Esdras recursos financeiros, como prata e ouro para utilizar na reconstrução do Templo e da cidade de Jerusalém.

Esdras trabalhou como uma espécie de líder no meio dos reingressantes, tomando a frente de diversas coisas, especialmente aquelas que tratavam da lei do Senhor. Voltaram junto com Esdras para Jerusalém cerca de mil e quinhentos homens e mulheres.

Por fim, Esdras atuou como um sacerdote e intercessor, ao clamar pelo povo que pecou se casando com mulheres estrangeiras, algo proibido por Deus.

Esdras foi um homem de grande relevância na história do povo de Deus, pois ele foi um dos que trabalharam na reconstrução do Templo. Ele também se mostrou um homem de muita fé, ao não abandonar o Senhor, apesar das dificuldades do exílio e de estar em uma cultura pagã.