quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Ser como crianças

 Texto-base: Marcos 10:14-15 “Jesus, porém, vendo isto, indignou-se, e disse-lhes: Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele”.

Jesus ama as crianças. Ele disse que o Reino dos Céus é delas e que aquele que não receber esse reino como uma criança, não poderá entrar nele. Mas, quais atitudes têm as crianças que fazem delas detentoras do reino de Deus? Abaixo, listamos algumas:

Pureza: a criança é pura. Uma criança não se envergonha de ficar sem roupa perante as pessoas porque não há maldade, imoralidade em seu coração. Semelhantemente, antes de pecarem, Adão e Eva viviam nus no jardim do Éden e não se envergonhavam. Como acontece com as crianças, deveria haver pureza em nós. A maldade e a imoralidade não poderiam ditar nossos pensamentos ou atitudes.

Sinceridade: nesta terra, não há ninguém mais sincero do que as crianças. Elas falam aquilo que pensam. Se elas não gostam, elas falam e se gostam falam também. Por isso ouvir um eu te amo deles é tão bom, porque sabemos que são palavras sinceras. Adultos usam máscaras, escondem o que são ou o que pensam para agradarem os outros. Na verdade, falhamos até na sinceridade com Deus, que conhece o nosso íntimo, em muitas vezes tentar ser para Ele aquilo que na verdade não somos.

Capacidade de perdoar e esquecer: muitas vezes nossos filhos nos desobedecem e somos levados a castigá-los. Eles ficam chateados, choram, mas logo estão conversando conosco, como se nada tivesse ocorrido. Eles não guardam mágoas, ressentimentos, pelo contrário são facilmente dispostos a esquecer o que fizemos a eles. Nós adultos, sempre estamos guardando o mal que nos fizeram, e não digo apenas grandes maldades, mas coisas pequenas, ditas ou feitas no dia a dia, e que amarguramos por toda a vida.

Capacidade de imitar: crianças reproduzem com facilidade as atitudes dos pais. São facilmente moldados. Apesar disso ser perigoso quando se trata de imitar o que é mau, se pensarmos que no reino celestial temos um Pai ao qual deveríamos imitar em tudo, iríamos querer ser como crianças.

Ausência de ambição: aprendemos a valorizar o ter quando crescemos pois enquanto somos crianças, tudo o que importa é o ser. Crianças não amam mais quem lhes dá presentes caros, elas amam e se apegam a quem lhes dá amor e carinho. Inclusive, um presente de maior ou menor preço para uma criança não faz diferença. Para ela, o importante mesmo é ter algo e alguém para brincar. Do mesmo modo, deveríamos amar a Deus por quem Ele é, e não pelo que Ele pode nos dar. A presença e o amor de Deus deveriam ser o fator mais importante em nosso relacionamento com Ele. Todavia, frequentemente nos “revoltamos” com Deus se estamos servindo a Ele e não conseguimos o que estamos almejando.

Ausência de discriminação: uma criança não é preconceituosa, não despreza a ninguém pela cor, pelo tipo de cabelo, por ser pobre, por ter alguma deficiência ou pela forma com que se comporta. O preconceito é desenvolvido em nós a partir das ideologias que construímos sobre o que é melhor ou pior. E muitas dessas ideias são movidas pela religiosidade, ou pelas ideias dos outros, nada fundamentado na verdade da Palavra. Deus não faz acepção de pessoas. Jesus quando estava aqui na Terra se assentava com prostitutas, pecadores, publicanos. Ele não se contaminava com as práticas deles, mas ensinava-lhes a verdade. Esses largados da sociedade viam em Jesus alguém que não lhes apontava o dedo, mas que com amor os acolhia.

Não volte para a aldeia: a cura do cego de Betsaida

 Texto-base: Marcos 8:22-26

Jesus entra em uma aldeia em Betsaida e ali lhe levam um homem cego para ser curado. Jesus então tira o cego para fora da aldeia, coloca saliva em seus olhos, impõe-lhe as mãos e pergunta se ele está vendo algo. O homem lhe responde ver os homens como se fossem árvores, o que significava que a sua visão ainda não tinha sido restaurada por completo. Jesus agora põe as mãos nos olhos do homem, e este passa a ver perfeitamente. Então Ele o manda embora para a sua casa, ordenando-lhe que não voltasse mais para a aldeia.

Esse milagre possui pontos interessantes se comparado aos demais operados por Jesus. Em outros milagres relatados, as pessoas levadas a Jesus são curadas imediatamente, já nesse milagre Jesus precisa realizar duas intervenções. Sem dúvida, isso não aconteceu por falha de Jesus, mas talvez para nos ensinar lições a partir dessa história. Uma delas é que nem sempre a nossa visão acerca de algo é restabelecida em um única vez. Muitas vezes, essa visão é restabelecida aos poucos, até que possamos ver nitidamente.

Por exemplo, quando estamos evangelizando alguém, não podemos querer que de apenas umas poucas vezes a visão daquela pessoa se abra. O nosso crescimento é um processo, que vem aos poucos. É a própria Palavra que nos diz que a luz dos justos brilha como a aurora, cada vez mais, até que seja um dia perfeito.

Outro ponto interessante nesse milagre é que, ao ser curado, Jesus ordena àquele homem que não entre na aldeia, mas que vá para sua casa. Isso significa que a aldeia não era a casa daquele homem, e que em algum momento de sua vida ele havia sido levado para lá.

Sabe-se que o homem não nasceu cego, pois o autor diz que ele, recobrando a vista, ainda não via perfeitamente. Se ele recuperou a visão é porque ele já havia visto em alguma outra época.

Talvez aquele homem tivesse sido levado para a aldeia após ter ficado cego, ou talvez tivesse ficado cego após ter ido para a aldeia. Não se sabe ao certo, mas provavelmente a volta dele à aldeia seria prejudicial à manutenção da sua cura.

Existem lugares que após sermos curados não nos convém mais voltarmos. Talvez por nos exporem ao perigo de uma nova cegueira, talvez por serem lugares que nos remetem ao estado de miséria. O fato é que, a nossa libertação é o marco para uma nova vida, e se somos diferentes a nossa atitude frente a algumas coisas tem que ser também diferentes.

Voltar para a aldeia pode simbolizar que não estamos dispostos a viver a nova vida à qual fomos chamados. Se Cristo nos libertou, que passemos a viver em novidade de vida e em liberdade.

Sem a presença de Deus não vale a pena caminhar

 Texto-base: Êxodo 33

Após o povo de Israel produzirem um bezerro de ouro e prostarem-se diante dele como se fosse um deus, o Senhor Deus se indigna contra aquele povo e diz a Moisés que Ele não os considerava mais como o Seu povo. É considerado povo de Deus quem obedece a Deus. A partir do momento que seguimos nossos próprios caminhos estamos nos desvencilhando de Deus.

Mas tamanho o amor de Deus com aquele povo que Ele ressaltou que enviaria o seu Anjo adiante deles, destruiria os seus inimigos e faria aquele povo entrar na terra, como havia prometido, mas Ele próprio não iria com o povo.

Muitos procuram as bençãos de Deus sem querer a Sua presença. Querem a terra prometida mas não querem desfrutar de um relacionamento com o Senhor. De nada adianta termos as bençãos se Deus não está conosco, pois é Ele quem nos dá alegria para desfrutá-las.

Moisés então diz a Deus que se o Senhor não fosse com eles, eles não poderiam sair dali, pois de nada adiantaria alcançarem a terra da promessa sem Deus ao lado deles.

Ainda, eles só eram o povo de Deus porque tinham o Senhor caminhando com eles e isso era os que os distinguia dos outros povos. Sem o Senhor ao lado deles, aquele povo seria apenas uma nação qualquer, como os outros povos, e não mais seria o povo de Deus.

Temos que enxergar a grandeza de sermos povo de Deus e de tê-Lo ao nosso lado. Talvez estejamos tão acostumados com o Senhor ao nosso lado que não damos o devido valor a isso.

Ser povo de Deus é ser separado, é não se contaminar com as finas iguarias do rei, é não ser coniventes com o pecado. Banalizar a Sua presença é ir perdendo-a aos poucos. Aquele povo naquele dia sentiu a dor de não ter o Senhor ao lado deles. E se contristaram. E nós? Temos a certeza que a presença de Deus vai conosco? Estamos almejando apenas entrar na terra da promessa ou queremos entrar lá com Deus ao nosso lado?

Não retroceda em seu chamado

 Texto-base: Lucas 5:1-11

Pedro foi um dos discípulos mais conhecidos de Jesus. Ele era um pescador. O livro de Lucas conta com mais detalhes sobre o seu chamado. O ministério de Jesus já era bem conhecido das pessoas, e Ele estava próximo ao lago de Genesaré, falando a uma multidão.

Como estava sendo apertado pelas pessoas, resolveu pegar um barco, e era justamente o de Pedro. Após haver uma pesca milagrosa, Pedro se rende a Jesus, abandona sua profissão e decide segui-lo, com a promessa de que agora seria pescador de homens.

No decorrer do seu ministério com Jesus, Pedro vivencia diversas situações. Mas Jesus morre. Pedro, que o havia negado três vezes, se sente desolado. Não apenas ele, mas todos os discípulos, pois ainda não haviam entendido o propósito da vinda de Jesus a essa terra. E Pedro volta a pescar.

Após a ressurreição de Jesus, enquanto eles estavam pescando, Jesus aparece a Pedro e mais seis discípulos e, como no dia do seu chamado, faz um milagre na pesca daqueles homens. Nesse encontro Jesus diz a Pedro: apascenta as minhas ovelhas (Jo 21:17).

Na verdade, Jesus queria despertar Pedro sobre o porquê dele ter abandonado seu chamado de pescador de homens e ter voltado a pescar peixes. Pedro tinha sido chamado ao ministério, mas tinha voltado atrás. O desânimo pela morte de Jesus o havia feito retroceder do seu chamado.

Semelhantemente, muitos têm voltado atrás em seu chamado. Foram chamados por Jesus a exercerem uma função na obra de Deus mas o desânimo, as dificuldades, as decepções lhes fizeram voltar atrás. Ao invés de expansores do Reino, voltaram a ser o que eram antes.

Na verdade, jamais serão os que eram antes, pois agora eles têm em si a marca do chamado. A Bíblia diz que no juízo final daremos conta a Deus de todas as nossas obras. Isso é muito sério. Não queremos ser taxados de servos maus e negligentes, como aqueles que esconderam seus talentos (Mt 25:18). Queremos cumprir com fidelidade nossa missão e entrarmos com alegria do dever cumprido no Reino celestial.

Não esconda seus talentos

 Texto-base: Mateus 25:14-30

A parábola dos dez talentos prefigura acontecimentos da volta de Jesus, mas a maior parte dela se passa enquanto estamos vivendo aqui na terra. Ela se trata da história de um senhor que entregou talentos (moedas) a três homens e ao cabo de muito tempo voltou para ver o que eles tinham conseguido com os talentos recebidos.

Os dois homens que receberam dois e cinco talentos multiplicaram em igual quantidade e foram elogiados pelo bom trabalho. O homem que recebeu um talento o enterrou e foi repreendido pelo senhor.

Em nosso cotidiano, talento significa aptidão para realizar algo. Assim como aquele senhor entregou preciosidades àqueles servos, Deus também confia a nós aptidões para o serviço na obra Dele. Ele não nos dá nada além da nossa capacidade, assim como na parábola, que diz que o senhor deu os talentos conforme a capacidade de cada um.

Ninguém é melhor do que ninguém mas muitas pessoas possuem multi habilidades, outras pessoas tem menos variedades de aptidões, mas todos podemos fazer algo para o crescimento do Reino de Deus e seremos recompensados por isso.O

O problema é que muitos têm pegado os talentos que o Senhor lhes confiou e os têm escondido. Por medo, timidez, por amarem mais a glória do mundo ou por outros motivos.

Os servos que multiplicaram os talentos foram chamados de bom e fiel, pois trabalhar em prol do Evangelho é demonstração de bondade aos perdidos e fidelidade a Deus.

Aquele que enterrou o talento foi chamado de servo mau, negligente e inútil. Esconder as habilidades que Deus nos têm dado ao invés de usá-las em favor do crescimento da Sua obra é agir com maldade diante de tantos que se perdem, é negligenciar aquilo que Deus tem nos dado e se tornar inútil para o Reino de Deus.

A nossa pátria não é aqui na Terra. O nosso destino final é a eternidade, sendo assim, podemos até trabalhar para o nosso crescimento terreno, mas temos que trabalhar também (e principalmente) para o crescimento do Reino ao qual iremos quando partirmos. Agindo dessa forma, certamente participaremos da alegria do Reino de Deus.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Onde há união, há autoridade, bênção e vida

 Texto-base: Salmos 133


O Salmos 133, um dos menores da Bíblia, nos fala sobre os benefícios da união. A palavra unidade no dicionário refere-se à capacidade de algo ser uno, ou seja, não dividido. Estar unido a algo é ser um com ele, isto é, não se separar dele.

Mas a união a que se refere o salmo em questão não é qualquer união, mas a união entre os irmãos. Essa união refere-se à unidade entre pessoas da mesma fé, entre cristãos. O salmista diz que a união entre os irmãos é algo bom e agradável. Ainda, ele diz que essa união pode ser comparada ao óleo derramado sobre a cabeça, barba e vestes de Arão e ao orvalho que cai sobre o monte Hermon, descendo sobre os montes de Sião. Neste lugar Deus ordena que haja bênção e vida.

Este salmo, passado tão desapercebido por muitas pessoas, tem grande significado. O objetivo geral dele é dizer que a união é boa, mas os seus pormenores nos ensinam muito sobre os frutos gerados pela união em uma congregação.

A união entre os irmãos gera autoridade. A unção do óleo sobre a cabeça e vestes do sacerdote indica o seu chamado e autoridade para o serviço de Deus. Consequentemente, a falta de união entre os irmãos gera a ausência dessa autoridade. Quando há divisões entre grupos ou entre toda a congregação, percebemos que há falta de autoridade do Espírito neste determinado lugar.

Ainda, a união gera vida. O orvalho que cai sobre o monte Hermom deságua no rio Jordão, principal rio que abastece o território de Israel. Como a água é fonte de vida e alimento, entendemos que a união é símbolo de bênção e vida, elementos confirmados pelo terceiro versículo. Consequentemente, quando existem desavenças entre irmãos, percebemos que falta a vida entre eles.

A união é muito boa, pois gera harmonia onde ela existe. Mas os efeitos gerados pela união são surpreendentes. Todos queremos que a nossa congregação seja cheia de autoridade de Deus e de vida, mas ainda nos esforçamos pouco para cultivarmos e mantermos a união. Onde há divisão não há união. E onde não há união, não pode haver autoridade, bênção e vida.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Redenção e remissão: os dois presentes nos dados por Jesus

Texto-base: Efésios 2:7


O sacrifício de Jesus por nós trouxe grandes benefícios para a nossa vida. Dois deles, seus principais, são a redenção e a remissão.

Ao olharmos o significado de redenção no dicionário, obtemos o seguinte: Ato ou efeito de resgatar ou de libertar de qualquer forma de escravidão ou opressão.

Esse foi o primeiro benefício que Jesus nos trouxe com a Sua vinda. Ele nos libertou da escravidão do pecado, e nos tirou do domínio do império das trevas (Colossenses 1:13).

Havia um escrito de dívida contra nós, mas Jesus removeu inteiramente essa dívida, e na cruz Ele despojou, isto é, saqueou os principados e potestades. Ainda, triunfou deles na cruz, os expondo publicamente ao desprezo (Colossenses 2:14-15). A morte de Jesus não foi uma humilhação para Ele, pelo contrário, as forças das trevas é que foram humilhadas ali. Na cruz o diabo foi completamente derrotado.

Essa libertação tem que ser celebrada por nós cristãos. Não somos mais escravos, somos livres. O inimigo não pode mais nos prender com nenhuma armadilha, somos livres. O pecado, a morte, a doença, a opressão foram subjugadas na cruz, somos livres. O problema é que muitos de nós ainda vivemos como escravos. Somos livres, mas não entendemos isso e vivemos à mercê de todos essas forças que já foram derrotadas.

Outro benefício adquirido na cruz, tão importante quanto o primeiro mencionado, foi a remissão. No dicionário, remissão significa perdão. Quando Jesus veio ao mundo e morreu na cruz, fomos perdoados dos nossos pecados e justificados diante de Deus, isto é, nos tornamos justos aos Seus olhos.

Antes do seu sacrifício, todos nós estávamos destituídos da glória de Deus, separados de Deus, mortos em nossos delitos (Romanos 3:23; Efésios 2:1). Mas quando Cristo morreu e ressuscitou, obtivemos novamente o acesso a Deus, a esperança da vida eterna.

Tudo isso é também chamado na Bíblia de reconciliação. Através de Cristo, fomos reconciliados com Deus (2 Coríntios 5:18-19). Estávamos separados dele, mas agora fomos colocados novamente em Seu reino, como Filhos de Deus.

Entretanto, a nossa salvação não vem pelo sacrifício de Jesus, mas pela fé Nele e naquilo que Ele fez por nós. Se não cremos em Jesus, anulamos o Seu sacrifício por nós, e a Sua morte e ressurreição não trarão a nós benefício algum.

Redenção e remissão: dois benefícios nos concedidos por intermédio da graça, mas não adquiridos de graça. Pelo contrário, foi preciso um grande sacrifício: de Deus, por entregar seu único Filho, e de Jesus, por se submeter à vontade de Deus e aceitar ser escarnecido, zombado e crucificado, tudo pelo nosso bem. Não dá para sabermos disso e vivermos da mesma forma. Precisamos receber essa salvação em nossas vidas, e uma vez salvos, precisamos proclamá-la às demais pessoas.