domingo, 28 de março de 2021

Agar: a mulher que se encontrou com Deus no deserto

 Textos-base: Gênesis 16; 21:8-21


Agar era uma mulher egípcia e serva de Sara, esposa de Abraão. A sua história na Bíblia começa quando Sara, através de uma atitude imprudente, aconselha seu esposo Abraão a se deitar com Agar. O intuito era que ela gerasse um filho para Abraão, uma vez que ele não tinha filhos com Sara. Todavia, Deus já havia prometido um filho a Abraão.

A relação consumada entre Agar e Abraão resultou em um filho. Quando isso ocorreu, ela foi tomada pelo orgulho e começou a desprezar Sara, que revidou a afronta e a humilhou de tal forma que ela fugiu para o deserto. Ali foi encontrada pelo Anjo do Senhor que lhe mandou voltar e humilhar-se perante Sara.

O Anjo lembrou a Agar as suas origens e a sua responsabilidade enquanto serva de Sara. Agar não poderia encobrir isso. Naquele momento, o orgulho de Agar dava lugar a um passo importante de fé na sua vida: a obediência a Deus.

Ela obedeceu a ordem do Anjo e no deserto ela compreendeu que o Senhor é um Deus que vê. Agar concebeu e deu o nome à criança de Ismael, também obedecendo a Deus e se recordando de que Deus a havia visto em sua aflição.

Mas Sara também concebeu. E após o nascimento de Isaque, filho de Abraão com Sara, esta expulsa Ismael e Agar de sua casa. 

Agar volta novamente ao deserto, e ali, após quase ver seu filho morrer sem água e comida, ela experimenta a provisão de Deus. Um Anjo novamente vem até Agar, lhe ordena que levante a si mesma e ao seu filho. Os olhos dela então se abrem e ela vê um poço de água ao seu lado.

Ali no deserto Agar viveu com Ismael, cuja descendência gerou doze príncipes e foi relatada na Bíblia quando o profeta relata a glória da nova Jerusalém (Isaías 60:7)

A história de Agar nos mostra uma mulher escrava, que foi submetida à humilhação de deitar-se com alguém que ela não queria. Humilhada por Sara, teve que se refugiar por duas vezes no deserto. Mas naquele lugar ela encontrou refúgio no Senhor. No deserto, ela encontrou o Deus que vê e que provê.

Agar é o exemplo da mulher solteira, que é jogada pela sociedade à própria sorte para cuidar dos filhos, mas que encontra em Deus amparo e forças para manter sua casa de pé.

Como Agar, encontramos um Deus que faz os nossos olhos se abrirem para enxergarmos poços de água que estão do nosso lado e que até então não víamos.

Agar é exemplo da misericórdia de Deus. Uma escrava egípcia, que não tinha em sua cultura o Deus verdadeiro, pôde experimentar da Sua providência e do Seu amor, disponível não apenas àquela mulher, mas a todos nós.

sexta-feira, 26 de março de 2021

As três etapas no percurso de fé de Abraão

 Textos-base: Gênesis 12:1-4; 16:1-4; 17:23; 


A história de Abraão é muito interessante de se estudar. Um homem que não tinha referências sobre Deus em sua geração, mas que foi chamado amigo Dele, e pai da fé. Para entendermos melhor o percurso de Abraão com Deus,  dividimos a sua história em três etapas.

A primeira etapa é aos setenta e cinco anos, quando Deus lhe chama para sair de sua terra, onde estava próximo à sua família, e ir para uma terra desconhecida. Deus promete dar-lhe uma descendência e uma terra por possessão. Neste momento Abraão crê em Deus de uma forma incrível e lhe obedece instantaneamente, deixando tudo para trás.

Mas com o passar dos anos Abraão retrocede na fé, e começa uma segunda etapa, aos oitenta e cinco anos. Ele acaba tendo um relacionamento com uma escrava, de onde nasceu um filho, chamado Ismael, que não fazia parte dos planos de Deus para Abraão, mas que foi uma tentativa frustrada de cumprir a seu modo a promessa do filho. O diálogo de Deus com Abraão, anos depois do nascimento de Ismael, revela que ele não cria mais na promessa de Deus acerca de lhe dar um filho. 

Aos noventa e nove anos Deus chama Abraão a voltar à Sua presença e viver em retidão. A partir desse momento, começa a terceira etapa dessa caminhada, onde Deus renova a Sua promessa com Abraão, faz uma aliança com ele ordenando a circuncisão, um sinal físico da aliança entre eles. A prontidão de Abraão em obedecer a Deus e no mesmo dia circuncidar a si próprio e a todos da sua casa, revelam que ele havia retornado ao caminho da obediência a Deus. E então, um ano após essa aliança, nasce Isaque e a promessa de Deus é cumprida.

Como Abraão, também temos essas etapas em nossa caminhada de fé. Muitas vezes quando Deus nos chama e nos faz promessas, ficamos em êxtase. Buscamos, oramos e cremos. Mas nem sempre a promessa se cumpre rapidamente. E nesses momentos se não estivermos firmados, começamos a retroceder. Mas Ele não falha. Se Ele falou, não importa o tempo que se passe, sua promessa se cumprirá.

Não podemos afirmar que se Abraão tivesse obedecido a Deus com mais veemência, Isaque teria nascido antes. O que importa é que esse período foi importante para o amadurecimento de Abraão, que viu o Senhor agir diante do impossível. A fé que Abraão conquistou durante essas três etapas lhe ajudaram mais à frente, quando Deus lhe pediu para sacrificar Isaque. Caminhar com Deus é seguir avançando, crescendo, superando cada etapa, rompendo em fé.

quinta-feira, 25 de março de 2021

O preguiçoso e o homem que não tem entendimento

Texto-base: Provérbios 24:30-34


O livro de Provérbios é muito mais do que apenas registros da sabedoria de Salomão, é um manual de vida diária, onde aborda sobre diversos assuntos cotidianos, essenciais à nossa melhor vivência.

Em um desses conselhos, o autor aborda sobre dois tipos de pessoas: o indivíduo preguiçoso e o homem que não tem entendimento. O sábio autor nos diz que quando ele passou por dois ambientes, o campo do preguiçoso e a vinha do homem que não tinha entendimento, ele se deparou com espinhos, urtigas e ruínas, isto é, um lugar intransitável e inabitável.

Por fim ele apresenta qual a reação do preguiçoso e as suas consequências. Ele dorme, cochila, encruza os braços, e depois colhe os frutos da pobreza e da necessidade, ambas sobrevindo como um ladrão e um homem armado, respectivamente.

A preguiça, a procrastinação e a falta de entendimento nos fazem deixar de cultivar um lugar que tinha tudo para ser fértil. E pior, faz com que percamos aquilo que já temos. Mesmo um muro de pedras é capaz de ser derrubado nas mãos de pessoas com esse comportamento.

Os prejuízos da preguiça e da acomodação vêm como um ladrão, de forma repentina e com o intuito de causar a maior destruição que conseguirem.

A preguiça indica uma procrastinação que gera uma ausência de ação. A falta de entendimento indica uma negligência em buscar o conhecimento, essencial para tomarmos decisões prudentes. Apesar de estarem interligados, enquanto a preguiça se refere a aspectos externos, a falta de entendimento está ligada a algo interno.

Uma vida sem conhecimento se torna improdutiva. Precisamos buscar em Deus o entendimento da Sua Palavra, para não vivermos em trevas completas. Mas também precisamos de ação. Não dá para adiar as coisas de Deus. Elas exigem de nós a mesma prioridade a qual desejamos por parte do Senhor diante das nossas necessidades. Buscar entendimento de Deus e agir conforme esse entendimento são atitudes inadiáveis.

segunda-feira, 22 de março de 2021

Um Deus que não é apressado


Apressados, acelerados, agitados, assim temos vivido. Ao dormir, começamos a planejar o que temos que fazer amanhã. Ao acordar, logo já pensamos na infinidade de coisas que temos para resolver. E assim não paramos, não descansamos, não desaceleramos. Esse é um caminho perigoso, que pode conduzir a muitos problemas, como ansiedade, estresse e depressão.

Mas quando olhamos para Deus percebemos que Ele não anda apressado. A criação do mundo revela isso. Ele poderia construir tudo com apenas uma palavra, em um único dia, mas preferiu fazer isso em seis dias, tendo cada dia como uma etapa. Deus nunca se cansa, mas após seis dias de criação Ele descansou. Será que o descanso de Deus foi realmente para Ele? Ou não seria uma mensagem Dele para nos mostrar que o descanso vem Dele para o nosso bem? Deus não apenas criou o mundo, Ele criou também o descanso.

Mas se o descanso vem de Deus, por que então não o cumprimos? Se Deus não se acelera, por que vivemos tão acelerados? A pressa revela duas vertentes: a falta de confiança em Deus e a idolatria. Viver acelerados indica que não conseguimos descansar Nele, que queremos resolver as coisas do nosso jeito. Ainda, a pressa revela idolatria, pois ao vivermos em função das coisas dessa terra, estamos tomando outras coisas para nós e as colocando no centro, no lugar de Deus.

A ânsia pelo trabalho, pelo dinheiro, pelo status, pela aprovação alheia tem nos conduzido a um caminho oposto ao que Deus traçou para nós. Somos incentivados pela sociedade consumista a viver freneticamente, afinal, dizem por aí, essa é a única vida que temos. Será que realmente essa é a nossa única vida?

Enquanto cristãos, sabemos que essa não é a nossa única vida, pelo contrário, a nossa vida principal está além desta. Aqui na terra somos forasteiros, aguardando a nossa verdadeira vida, que é eterna ao lado do Senhor. Dessa forma, compreendemos que a vida pela qual devemos realmente lutar não precisa de dinheiro ou coisas materiais para ser plena. O que precisamos para estar lá é de um coração entregue ao Senhor, que não se deixa seduzir pelas coisas desta terra, mas que tem Deus como centro.

Deus não age sob a pressa. Os Seus caminhos são de tranquilidade, de serenidade. Importa que tomemos essas atitudes também para nós e saiamos da correria, para contemplá-lo, segui-lo e viver o melhor Dele em nós.

sábado, 20 de março de 2021

Vendidos sem valor, comprados sem dinheiro

 Texto-base: Isaías 52:3

"Porque assim diz o Senhor: Por nada fostes vendidos; e sem dinheiro sereis resgatados."


O capítulo 52 de Isaías é direcionado ao povo que estava exilado na Babilônia. Eles estavam vivendo como cativos, mas sempre recebiam do Senhor palavras de consolo e de uma libertação que estava por vir. A ordem do Senhor era para que aquele povo parasse de se lamentar e se levantasse diante daquela situação.

Como libertador deles, o Senhor os relembra que eles foram vendidos a troco de nada, mas que seriam resgatados sem dinheiro.

Percebemos que há uma divergência quando Deus diz que o povo foi vendido por nada, uma vez que para haver um processo de venda, é necessário que haja dinheiro (ou algum objeto de troca) na transação.

No mesmo sentido, o Senhor lhes diz que eles seriam resgatados sem dinheiro. Todavia, na situação de escravos que eram, para serem libertos, o dinheiro era essencial.

Na verdade, o que Deus queria mostrar àquele povo era que quando eles foram vendidos, eles não tinham valor nenhum aos olhos das demais nações. Mas ao serem resgatados, isso não seria feito pelos seus próprios recursos, mas pelo poder de Deus.

Entretanto, essa mensagem dita aos exilados de Judá também se aplica a nós. A libertação daquele povo prefigura a nossa libertação, obtida por meio do sacrifício de Jesus na cruz. Éramos escravos do pecado, vivendo sem nenhum valor. Vivíamos no mundo das trevas, sem esperança no amanhã. Mas o sacrifício de Jesus na cruz mudou essa situação. Fomos resgatados do império das trevas e transportados para o reino do Filho do seu amor, onde tivemos a redenção e a remissão dos nossos pecados (Colossenses 1:13-14). Tudo isso foi feito através da morte de Jesus por nós. Não foi através de dinheiro ou estratégias humanas. Fomos salvos pela Sua graça. Em sua carta, Pedro nos lembra que não fomos resgatados por prata ou ouro, mas pelo precioso sangue de Jesus, como um cordeiro sem defeito e sem mácula (1 Pedro 1:18-19).

Como aquele povo foi resgatado, o Senhor nos lembra hoje como também nós fomos. Foi sem dinheiro, sem força humana. Foi por amor. Alguém em algum lugar disse que foi pela graça, mas não foi de graça. Foi com sacrifício. Cada gota de sangue derramada, demonstrou o quanto Ele nos ama. Que esse amor de Jesus por nós possa ser a nossa esperança hoje e amanhã, enquanto vivermos na Terra, pois ao fecharmos os nossos olhos, não precisaremos mais esperar, já estaremos com Ele na glória.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Saia da caverna

 Texto-base: 1 Samuel 22:1-5; 1 Reis 19:9-13


Quando pensamos em uma caverna, logo pensamos em um lugar de esconderijo. E realmente, cavernas eram utilizadas pelas pessoas para se esconderem de perigos, tanto de animais, condições climáticas ou de pessoas.

Na Bíblia, há o relato de dois homens que se esconderam em cavernas, mas que logo foram tiradas pelo Senhor.

O primeiro homem foi Davi. Após muitas fugas de Saul, que queria matá-lo, Davi encontra uma caverna onde se esconde. Finalmente havia encontrado um lugar seguro (o próprio relato bíblico diz que o local era seguro). Mas logo vem um profeta de Deus que manda que ele saia de lá e vá para a terra de Judá, território dominado por Saul.

O segundo homem a se esconder em uma caverna foi Elias. Fugindo de Jezabel e temendo a morte, Elias se desespera e vai para o deserto. Ali é alimentado pelo Senhor que lhe ordena que fosse até Horebe, o monte de Deus. Quando ele chega ao monte, ao invés de se encontrar com Deus, Elias entra em uma caverna. Mas logo é questionado por Deus sobre o que ele estava fazendo ali.

Nos dois exemplos temos algo em comum: dois homens amedrontados, que utilizam a caverna para se esconderem. Em ambos os casos, são chamados pelo Senhor para saírem daquele lugar. No caso de Davi, se ele continuasse ali na caverna, poderia ser que ele se acomodasse e não tomasse posse do reino de Israel, o qual Deus havia lhe prometido.

No caso de Elias, Deus queria se revelar a ele de uma forma diferente, não mais como um terremoto ou um fogo, como Elias estava acostumado, mas como um Deus manso e tranquilo, como Ele também é. Deus o havia chamado para se colocar no monte. Na caverna, porém, Elias não poderia vê-lo.

Nesses dois exemplos, a caverna significa um impedimento, um local onde estamos fora do propósito de Deus para nós. Muitas vezes amedrontados diante das aflições da vida, nos escondemos em cavernas, e ali perdemos a oportunidade de encontrarmos o Senhor e desfrutarmos de Suas promessas para nós.

Mas se andamos com Deus, podemos ter a certeza que se estivermos na caverna, Ele irá nos avisar para sairmos de lá. Cabe a nós ouvi-lo ou não. Deus não nos quer em cavernas, Ele nos chama a abandonarmos o medo, sairmos dos esconderijos da aflição e nos colocarmos no lugar que Ele tem para nós. Lugares de paz, de alegria e de vitória.


quarta-feira, 17 de março de 2021

A Babilônia é terra do ensino, e o Egito a terra da rebeldia

 Texto-base: Jeremias 42:11-16


Por causa dos seus pecados recorrentes de desobediência, idolatria e irreverência, o povo de Judá é levado ao exílio da Babilônia. Ali, é profetizado que eles permaneceriam naquela terra por setenta anos. Apesar de estarem exilados, fora da sua terra, o Senhor lhes promete ser propício, fazendo com que obtivessem misericórdia do rei babilônico.

Todavia, mesmo debaixo de promessas, o povo não dá crédito aos profetas e prefere rebelar-se, indo ao Egito para tentar fugir do exílio. Mas o Senhor lhes adverte que se fossem ao Egito, a espada da Babilônia da qual queriam fugir, iria lhes alcançar ali. Eles não seriam abençoados no Egito, pois estavam em desobediência às ordens do Senhor. E foi o que aconteceu. O Egito acabou sendo dominado pela Babilônia, e aqueles que achavam que estariam seguros ali, acabaram mortos.

O povo não entendia que, mesmo estando na Babilônia seriam abençoados, pois aquele era o lugar que Deus tinha no momento para eles.

Em um sentido espiritual, Babilônia não significa apenas a terra do castigo, mas também a terra do ensino, onde somos moldados por Deus. Muitas vezes, precisamos estar fora do lar, longe do conforto, para aprender a estar mais perto de Deus.

Mesmo assim, muitos não entendem o processo de ensino do Senhor e se rebelam. O Egito é a terra da rebeldia. Precisamos entender que o processo de cura pode ser doloroso, mas é necessário. Rebelar-se contra o discipulado de Deus através do sofrimento, é tentar chegar a um destino utilizando falsos atalhos. Ao final, você não chegará ao destino e ainda correrá o risco de se acidentar no meio do percurso.

Não adianta tentarmos pular etapas, pois isso nos é prejudicial. É preferível passar pela Babilônia e ao final viver na presença de Deus do que ir para o Egito e morrer ali, como aconteceu com os judeus.

O processo de ensino de Deus em nossas vidas muitas vezes usa situações de desconforto com o intuito de nos fazer alcançar lugares maiores.