quinta-feira, 25 de março de 2021

O preguiçoso e o homem que não tem entendimento

Texto-base: Provérbios 24:30-34


O livro de Provérbios é muito mais do que apenas registros da sabedoria de Salomão, é um manual de vida diária, onde aborda sobre diversos assuntos cotidianos, essenciais à nossa melhor vivência.

Em um desses conselhos, o autor aborda sobre dois tipos de pessoas: o indivíduo preguiçoso e o homem que não tem entendimento. O sábio autor nos diz que quando ele passou por dois ambientes, o campo do preguiçoso e a vinha do homem que não tinha entendimento, ele se deparou com espinhos, urtigas e ruínas, isto é, um lugar intransitável e inabitável.

Por fim ele apresenta qual a reação do preguiçoso e as suas consequências. Ele dorme, cochila, encruza os braços, e depois colhe os frutos da pobreza e da necessidade, ambas sobrevindo como um ladrão e um homem armado, respectivamente.

A preguiça, a procrastinação e a falta de entendimento nos fazem deixar de cultivar um lugar que tinha tudo para ser fértil. E pior, faz com que percamos aquilo que já temos. Mesmo um muro de pedras é capaz de ser derrubado nas mãos de pessoas com esse comportamento.

Os prejuízos da preguiça e da acomodação vêm como um ladrão, de forma repentina e com o intuito de causar a maior destruição que conseguirem.

A preguiça indica uma procrastinação que gera uma ausência de ação. A falta de entendimento indica uma negligência em buscar o conhecimento, essencial para tomarmos decisões prudentes. Apesar de estarem interligados, enquanto a preguiça se refere a aspectos externos, a falta de entendimento está ligada a algo interno.

Uma vida sem conhecimento se torna improdutiva. Precisamos buscar em Deus o entendimento da Sua Palavra, para não vivermos em trevas completas. Mas também precisamos de ação. Não dá para adiar as coisas de Deus. Elas exigem de nós a mesma prioridade a qual desejamos por parte do Senhor diante das nossas necessidades. Buscar entendimento de Deus e agir conforme esse entendimento são atitudes inadiáveis.

segunda-feira, 22 de março de 2021

Um Deus que não é apressado


Apressados, acelerados, agitados, assim temos vivido. Ao dormir, começamos a planejar o que temos que fazer amanhã. Ao acordar, logo já pensamos na infinidade de coisas que temos para resolver. E assim não paramos, não descansamos, não desaceleramos. Esse é um caminho perigoso, que pode conduzir a muitos problemas, como ansiedade, estresse e depressão.

Mas quando olhamos para Deus percebemos que Ele não anda apressado. A criação do mundo revela isso. Ele poderia construir tudo com apenas uma palavra, em um único dia, mas preferiu fazer isso em seis dias, tendo cada dia como uma etapa. Deus nunca se cansa, mas após seis dias de criação Ele descansou. Será que o descanso de Deus foi realmente para Ele? Ou não seria uma mensagem Dele para nos mostrar que o descanso vem Dele para o nosso bem? Deus não apenas criou o mundo, Ele criou também o descanso.

Mas se o descanso vem de Deus, por que então não o cumprimos? Se Deus não se acelera, por que vivemos tão acelerados? A pressa revela duas vertentes: a falta de confiança em Deus e a idolatria. Viver acelerados indica que não conseguimos descansar Nele, que queremos resolver as coisas do nosso jeito. Ainda, a pressa revela idolatria, pois ao vivermos em função das coisas dessa terra, estamos tomando outras coisas para nós e as colocando no centro, no lugar de Deus.

A ânsia pelo trabalho, pelo dinheiro, pelo status, pela aprovação alheia tem nos conduzido a um caminho oposto ao que Deus traçou para nós. Somos incentivados pela sociedade consumista a viver freneticamente, afinal, dizem por aí, essa é a única vida que temos. Será que realmente essa é a nossa única vida?

Enquanto cristãos, sabemos que essa não é a nossa única vida, pelo contrário, a nossa vida principal está além desta. Aqui na terra somos forasteiros, aguardando a nossa verdadeira vida, que é eterna ao lado do Senhor. Dessa forma, compreendemos que a vida pela qual devemos realmente lutar não precisa de dinheiro ou coisas materiais para ser plena. O que precisamos para estar lá é de um coração entregue ao Senhor, que não se deixa seduzir pelas coisas desta terra, mas que tem Deus como centro.

Deus não age sob a pressa. Os Seus caminhos são de tranquilidade, de serenidade. Importa que tomemos essas atitudes também para nós e saiamos da correria, para contemplá-lo, segui-lo e viver o melhor Dele em nós.

sábado, 20 de março de 2021

Vendidos sem valor, comprados sem dinheiro

 Texto-base: Isaías 52:3

"Porque assim diz o Senhor: Por nada fostes vendidos; e sem dinheiro sereis resgatados."


O capítulo 52 de Isaías é direcionado ao povo que estava exilado na Babilônia. Eles estavam vivendo como cativos, mas sempre recebiam do Senhor palavras de consolo e de uma libertação que estava por vir. A ordem do Senhor era para que aquele povo parasse de se lamentar e se levantasse diante daquela situação.

Como libertador deles, o Senhor os relembra que eles foram vendidos a troco de nada, mas que seriam resgatados sem dinheiro.

Percebemos que há uma divergência quando Deus diz que o povo foi vendido por nada, uma vez que para haver um processo de venda, é necessário que haja dinheiro (ou algum objeto de troca) na transação.

No mesmo sentido, o Senhor lhes diz que eles seriam resgatados sem dinheiro. Todavia, na situação de escravos que eram, para serem libertos, o dinheiro era essencial.

Na verdade, o que Deus queria mostrar àquele povo era que quando eles foram vendidos, eles não tinham valor nenhum aos olhos das demais nações. Mas ao serem resgatados, isso não seria feito pelos seus próprios recursos, mas pelo poder de Deus.

Entretanto, essa mensagem dita aos exilados de Judá também se aplica a nós. A libertação daquele povo prefigura a nossa libertação, obtida por meio do sacrifício de Jesus na cruz. Éramos escravos do pecado, vivendo sem nenhum valor. Vivíamos no mundo das trevas, sem esperança no amanhã. Mas o sacrifício de Jesus na cruz mudou essa situação. Fomos resgatados do império das trevas e transportados para o reino do Filho do seu amor, onde tivemos a redenção e a remissão dos nossos pecados (Colossenses 1:13-14). Tudo isso foi feito através da morte de Jesus por nós. Não foi através de dinheiro ou estratégias humanas. Fomos salvos pela Sua graça. Em sua carta, Pedro nos lembra que não fomos resgatados por prata ou ouro, mas pelo precioso sangue de Jesus, como um cordeiro sem defeito e sem mácula (1 Pedro 1:18-19).

Como aquele povo foi resgatado, o Senhor nos lembra hoje como também nós fomos. Foi sem dinheiro, sem força humana. Foi por amor. Alguém em algum lugar disse que foi pela graça, mas não foi de graça. Foi com sacrifício. Cada gota de sangue derramada, demonstrou o quanto Ele nos ama. Que esse amor de Jesus por nós possa ser a nossa esperança hoje e amanhã, enquanto vivermos na Terra, pois ao fecharmos os nossos olhos, não precisaremos mais esperar, já estaremos com Ele na glória.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Saia da caverna

 Texto-base: 1 Samuel 22:1-5; 1 Reis 19:9-13


Quando pensamos em uma caverna, logo pensamos em um lugar de esconderijo. E realmente, cavernas eram utilizadas pelas pessoas para se esconderem de perigos, tanto de animais, condições climáticas ou de pessoas.

Na Bíblia, há o relato de dois homens que se esconderam em cavernas, mas que logo foram tiradas pelo Senhor.

O primeiro homem foi Davi. Após muitas fugas de Saul, que queria matá-lo, Davi encontra uma caverna onde se esconde. Finalmente havia encontrado um lugar seguro (o próprio relato bíblico diz que o local era seguro). Mas logo vem um profeta de Deus que manda que ele saia de lá e vá para a terra de Judá, território dominado por Saul.

O segundo homem a se esconder em uma caverna foi Elias. Fugindo de Jezabel e temendo a morte, Elias se desespera e vai para o deserto. Ali é alimentado pelo Senhor que lhe ordena que fosse até Horebe, o monte de Deus. Quando ele chega ao monte, ao invés de se encontrar com Deus, Elias entra em uma caverna. Mas logo é questionado por Deus sobre o que ele estava fazendo ali.

Nos dois exemplos temos algo em comum: dois homens amedrontados, que utilizam a caverna para se esconderem. Em ambos os casos, são chamados pelo Senhor para saírem daquele lugar. No caso de Davi, se ele continuasse ali na caverna, poderia ser que ele se acomodasse e não tomasse posse do reino de Israel, o qual Deus havia lhe prometido.

No caso de Elias, Deus queria se revelar a ele de uma forma diferente, não mais como um terremoto ou um fogo, como Elias estava acostumado, mas como um Deus manso e tranquilo, como Ele também é. Deus o havia chamado para se colocar no monte. Na caverna, porém, Elias não poderia vê-lo.

Nesses dois exemplos, a caverna significa um impedimento, um local onde estamos fora do propósito de Deus para nós. Muitas vezes amedrontados diante das aflições da vida, nos escondemos em cavernas, e ali perdemos a oportunidade de encontrarmos o Senhor e desfrutarmos de Suas promessas para nós.

Mas se andamos com Deus, podemos ter a certeza que se estivermos na caverna, Ele irá nos avisar para sairmos de lá. Cabe a nós ouvi-lo ou não. Deus não nos quer em cavernas, Ele nos chama a abandonarmos o medo, sairmos dos esconderijos da aflição e nos colocarmos no lugar que Ele tem para nós. Lugares de paz, de alegria e de vitória.


quarta-feira, 17 de março de 2021

A Babilônia é terra do ensino, e o Egito a terra da rebeldia

 Texto-base: Jeremias 42:11-16


Por causa dos seus pecados recorrentes de desobediência, idolatria e irreverência, o povo de Judá é levado ao exílio da Babilônia. Ali, é profetizado que eles permaneceriam naquela terra por setenta anos. Apesar de estarem exilados, fora da sua terra, o Senhor lhes promete ser propício, fazendo com que obtivessem misericórdia do rei babilônico.

Todavia, mesmo debaixo de promessas, o povo não dá crédito aos profetas e prefere rebelar-se, indo ao Egito para tentar fugir do exílio. Mas o Senhor lhes adverte que se fossem ao Egito, a espada da Babilônia da qual queriam fugir, iria lhes alcançar ali. Eles não seriam abençoados no Egito, pois estavam em desobediência às ordens do Senhor. E foi o que aconteceu. O Egito acabou sendo dominado pela Babilônia, e aqueles que achavam que estariam seguros ali, acabaram mortos.

O povo não entendia que, mesmo estando na Babilônia seriam abençoados, pois aquele era o lugar que Deus tinha no momento para eles.

Em um sentido espiritual, Babilônia não significa apenas a terra do castigo, mas também a terra do ensino, onde somos moldados por Deus. Muitas vezes, precisamos estar fora do lar, longe do conforto, para aprender a estar mais perto de Deus.

Mesmo assim, muitos não entendem o processo de ensino do Senhor e se rebelam. O Egito é a terra da rebeldia. Precisamos entender que o processo de cura pode ser doloroso, mas é necessário. Rebelar-se contra o discipulado de Deus através do sofrimento, é tentar chegar a um destino utilizando falsos atalhos. Ao final, você não chegará ao destino e ainda correrá o risco de se acidentar no meio do percurso.

Não adianta tentarmos pular etapas, pois isso nos é prejudicial. É preferível passar pela Babilônia e ao final viver na presença de Deus do que ir para o Egito e morrer ali, como aconteceu com os judeus.

O processo de ensino de Deus em nossas vidas muitas vezes usa situações de desconforto com o intuito de nos fazer alcançar lugares maiores.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Testemunhas, oliveiras e candeeiros

Texto-base: Apocalipse 11:3-4

"Darei às minhas duas testemunhas que profetizam por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco.

São estas as duas oliveiras e os dois candeeiros que se acham em pé diante do Senhor da terra."


Apesar de ser um livro que retrata o final dos tempos, o livro do Apocalipse também nos fala acerca de muitas situações. Em uma delas, o autor relata sobre os sofrimentos de duas testemunhas, que pregariam o evangelho e por isso, seriam mortas, mas ao final ressuscitariam. Essas duas testemunhas são relatadas no texto como duas oliveiras e dois candeeiros. Esses três termos, testemunhas, oliveira e candeeiro retratam aquilo que Deus quer de nós enquanto seus servos. 

Para entendermos o porquê foram denominadas por esses substantivos, vamos entender o que esses elementos significam.

A primeira coisa é entendermos o que é uma testemunha. Ela é alguém que, apesar de fazer parte de um grande acontecimento, não é o centro dele, pelo contrário, está lá para exaltar alguém ou algo, através do seu relato.

Como cristãos, o nosso papel é sermos testemunhas de Jesus. Viemos ao mundo para relatar as maravilhas do amor de Cristo e o Seu sacrifício que nos trouxe redenção. Como testemunhas, devemos exaltar a Cristo.

A oliveira era uma árvore muito tradicional nos tempos bíblicos porque dela se extraía o azeite de oliva, que tinha muitas propriedades medicinais. Ainda, ele era fonte de alimento através das azeitonas e do próprio óleo, utilizado no preparo das refeições.

O candeeiro é um objeto utilizado para iluminar os locais. Como a oliveira, nos tempos que a Bíblia foi escrita, usar um candeeiro era muito comum, haja vista a eletricidade não haver se desenvolvido como nos dias atuais.

Diante disso, entendemos que é nosso papel sermos usados na obra do Senhor, seja como oliveiras, que levam cura e alimento, através da oração e da Palavra, ou como candeeiro que leva a luz.

Fazer a obra de Deus implica em despojarmos de nós mesmos, nos deixando sermos usados por Ele, para ajudar as pessoas a compreenderem o amor de Deus.

É importante também compreendermos que somos apenas ponte, instrumentos nas mãos do Senhor, pois a glória é apenas Dele. Podemos somar na obra do Senhor, nascemos para isso, e só nos sentiremos satisfeitos quando fizermos o que nascemos para ser: testemunhas, oliveiras e candeeiros.

sexta-feira, 12 de março de 2021

O perigo de sermos precipitados

 Texto-base: Provérbios 19:2" Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado".


Por mais que a Bíblia tenha sido escrita há milhares de anos, os seus ensinamentos continuam sendo atuais. Ela é viva, e o que está nela é válido para qualquer pessoa, em qualquer geração.

Uma exortação muito importante que aparece nas Escrituras para nós é acerca do perigo de sermos precipitados. No dicionário, o adjetivo precipitado se refere a alguém apressado, que age sem refletir. Diz o ditado que a pressa é inimiga da perfeição. Na Bíblia encontramos três advertências sobre os perigos de fazermos as coisas de forma precipitada. 

A primeira diz respeito ao falar. E como falhamos nesse quesito. Em Provérbios 18:3 diz que se você responde alguém antes de ouvi-lo você passará vergonha. Isto implica em não falarmos nada precipitadamente, acusar sem ter provas, brigar sem ter ouvido a defesa do outro ou até mesmo abrir a boca sem saber o assunto na íntegra. 

Ainda sobre o falar, ao fazermos um voto devemos refletir sobre o que estamos falando primeiro. Fazer um voto é algo sério, implica em um compromisso e deve ser feito com responsabilidade do que estamos fazendo. Afinal, Deus não se agrada em votos de tolos (Eclesiastes 5:4-5). Se você fizer um voto a Deus, faça com responsabilidade, sabendo que você terá de cumpri-lo depois, ou arcar com as consequências de um voto precipitado.

A segunda advertência é sobre impor as mãos precipitadamente (1 Timóteo 5:22). A imposição de mãos é um ato de autoridade sobre outro. Quando você impõe as mãos em alguém você está liberando algo sobre ela. Dessa forma, é necessário cautela nesse sentido, a fim de não liberarmos algo antes do tempo. É essencial a confirmação do Senhor para darmos algo da parte Dele a alguém. Quantas profecias foram ditas pela emoção do momento e, ao invés de abençoar, só feriram o outro. Quantas unções liberadas no momento inadequado que só geraram escândalos. Imposição de mãos é coisa séria e, portanto, deve ser feita com prudência.

A terceira advertência se refere ao dizer precipitadamente que algo é santo (Provérbios 20:25). Temos visto muitos ministérios que tão logo se iniciam, já há um alvoroço das pessoas em afirmar a veracidade do mesmo. Pelos frutos conheceremos a árvore e dessa forma, temos que entender que antes de afirmarmos a santidade de qualquer pessoa ou ministério, primeiro temos que avaliar o seu modo de vida, suas atitudes dentro e fora da multidão. Atestar a santidade de alguém ou algo de forma irrefletida pode gerar escândalos na obra do Senhor e consequências irreversíveis.

Hoje aprendemos sobre a precipitação. O sábio é aquele que sabe esperar. O maduro é quem recebe as coisas no tempo certo. Não conseguiremos por nossa própria força, precisamos do Senhor diariamente para nos dar essa capacitação.