quarta-feira, 5 de maio de 2021

A alegria que transcende as circunstâncias

 Salmos 4:7 "Mais alegria me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho".


Alegria, sentimento tão almejado pelas pessoas. Estar alegre é uma expectativa das pessoas com relação nós. O problema é que não conseguimos estar alegres o tempo todo. Existem momentos em nossa vida que nos entristecemos, seja com pessoas ou com circunstâncias. A tristeza faz parte da nossa natureza humana e o próprio Jesus no Getsêmani sentiu uma tristeza muito grande, que ele relatou ser uma tristeza de morte (Mateus 26:38).

Mas há uma esperança; existe uma alegria que independe das circunstâncias. É uma alegria interior, que não acaba com o fim do acontecimento favorável, mas que pode estar sempre conosco, mesmo que as coisas não estejam da maneira que gostaríamos.

É acerca dessa alegria que o salmista relata. Ele diz que o Senhor havia colocado mais alegria no coração dele do que a alegria dos seus inimigos, quando havia abundância material para eles. Esse trecho retrata a alegria não circunstancial, pois o autor via em si uma alegria muito maior do que aquela ocasionada pelas circunstâncias favoráveis as quais seus inimigos viviam. Essa alegria não estava relacionada a nenhum fator humano, mas pura e simplesmente pela presença de Deus em sua vida.

Essa é a alegria que Jesus nos promete que não nos será tirada, uma alegria que vem com a revelação das Escrituras (João 16:22), que nos faz livres independentemente da nossa condição e que está conosco a despeito de qualquer situação.

Essa verdade não anula a importância da alegria circunstancial, quando comemoramos alguma vitória, nossa ou daqueles que estão próximos a nós. Temos que nos alegrar com coisas boas. Também não significa que se estamos tristes não temos o Senhor conosco. O próprio Jesus, como já foi dito, se entristeceu. Entretanto, quando temos a revelação da Palavra, sabemos onde está a fonte da nossa verdadeira alegria.

Nos momentos de tristeza podemos ir aos pés do Senhor e seremos confortados com a alegria do Alto, que vem Dele e que nos fará estarmos de pé mesmo que tudo ao nosso redor se desmorone.

Essa é alegria que o mundo todo almeja adquirir, mas ela não tem preço e só pode ser encontrada em Deus. Ele é a nossa fonte de alegria. Ao Seu lado podemos nos deleitar e receber alegria em abundância (Salmos 16:11).

segunda-feira, 3 de maio de 2021

O noivo bate à porta

Texto de referência: Cânticos 5:2-7


O livro de Cânticos, com seu ar poético, nos fala sobre um romance entre um homem e uma mulher. Pode ser entendido dessa forma, mas também podemos compreendê-lo como o relacionamento entre Cristo e a Igreja, o noivo e a noiva, respectivamente.

Entre os diálogos presentes no livro, existe um onde a esposa relata que o seu esposo batia à sua porta no meio da noite. Ela, acomodada por já estar deitada e preparada para dormir, resiste em abrir ao esposo, mesmo o amando. 

Quando ela se levanta para abrir a porta, o seu amado já tinha ido embora. Ela sai à sua procura, mas já não o encontra. Não somente isso, por ser tarde da noite, ela é espancada na rua pelos guardas que vigiavam a cidade.

Se formos interpretar esse diálogo como uma figuração entre Cristo e a Igreja, percebemos o quão corriqueira é essa situação. De um lado, um noivo que bate à porta e anseia por entrar. Do outro, uma noiva acomodada que demora e quando abre, já não encontra mais o noivo.

Essa situação nos revela o quanto Cristo tem batido em nossas portas, querendo entrar no nosso quarto, isto é, na nossa intimidade para estar conosco. Somos amados pelo noivo, que deseja estar conosco.

Entretanto, temos nos deixado acomodar por muitas situações. Não queremos sair da nossa condição de conforto para enfrentarmos o confronto da Palavra de Deus. Não queremos deixar nossa popularidade entre o mundo para entrarmos no anonimato e deixar que Ele brilhe em nós. Não queremos abandonar práticas pecaminosas que nos oferecem alguns minutos de prazer, para nos oferecermos a Ele, em sacrifício integral.

E enquanto estamos procrastinando em tomarmos a decisão de corrermos para Jesus, o tempo está passando. Não podemos perder a oportunidade da nossa visitação. Não podemos deixar o noivo ir embora e o perdermos de vista. Não podemos deixar para procurá-Lo quando Ele já tiver saído e sofrermos a dor de viver sem a Sua presença.

O tempo é agora. O noivo bate à porta. Ele nos chama. Qual será a nossa resposta? Que possamos prontamente abrir a porta para Ele. Que Ele entre em nossa intimidade. Estar junto Dele é o melhor lugar.


sábado, 1 de maio de 2021

Guardando e protegendo a nossa vinha

 Texto de referência: Cânticos 1:6 "Os filhos de minha mãe se indignaram contra mim e me puseram por guarda de vinhas; a vinha porém que me pertence, não a guardei."


Entre os diálogos entre a esposa e o esposo descritos em Cânticos de Salomão, existe um em que a esposa relata que os seus irmãos haviam lhe colocado como guarda de vinhas, todavia, a vinha que lhe pertencia não havia sido guardada por ela.

Essa passagem, se lida nas entrelinhas, nos ensina sobre o cuidarmos daquilo que é nosso. Semelhante a esposa relatada em Cânticos, muitas vezes somos responsabilizados a cuidar de pessoas, funções ou ministérios. Nos desdobramos para cuidar daquilo que pertence ao outro, mas nos esquecemos de cuidar daquilo que é nosso.

Quantos líderes têm aconselhado casais e ajudado famílias a se erguerem, mas, consumidos pelos afazeres do ministério, acabam se esquecendo de cuidar da sua família, e com o passar dos anos vêem o relacionamento com seu cônjuge ou com seus filhos sendo destruído.

A outros é entregue um ministério para ser cuidado, mas os cuidados e preocupações do mundo lhe roubam o tempo que era para ser dedicado ao serviço do Senhor, e esse ministério vai sendo aos poucos destruído.

É preciso estar atentos aos sinais de desgaste que a nossa vinha dá. Ela não é destruída repentinamente, isso ocorre com o passar do tempo. Guardar a vinha é uma tarefa diária, que exige de nós tempo e um olhar atento às situações corriqueiras que ocorrem ao nosso redor.

A cada um de nós Deus deu uma vinha. Essa vinha pode ser o nosso casamento, a nossa família, o nosso trabalho ou o nosso ministério. Aquilo que o Senhor nos confiou devemos cuidar. Se cuidamos com diligência daquilo que não é nosso, cabe a nós cuidarmos com amor também daquilo que é nosso, a fim de que os frutos da nossa vinha possam glorificar a Deus.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

O culto misto dos samaritanos

 Texto de referência: 2Reis 17:29-41


Samaria era a capital do reino de Israel. Quando os israelitas foram exilados para a Assíria, o território deles foi ocupado por outros povos. 

Esses povos levaram para Israel todos os seus costumes idólatras. Após alguns morrerem por pragas enviadas pelo Senhor, os conselheiros dos povos sugeriram que eles aprendessem os costumes de adoração a Deus.

E assim eles fizeram. Começaram a adorar a Deus concomitantemente à adoração aos seus deuses. E esse culto misto continuou por várias gerações. Assim Samaria se tornou um território onde o Deus verdadeiro era adorado ao mesmo tempo que outras divindades.

Quando Jesus conversa com a mulher Samaritana junto à fonte de Jacó, podemos perceber essa diferença de culto existente entre os judeus e os samaritanos (João 4:20).

Essa prática existente entre os samaritanos não é um fator isolado. Podemos perceber essa realidade também em nossos dias, onde Deus é adorado simultaneamente a outros deuses. É comum percebermos práticas de culto a Deus onde também são evocadas outras divindades.

Ainda, esse tipo de situação não se limita apenas a outras religiões onde há adorações múltiplas, mas dentro do próprio cristianismo, seja através do culto a imagens como forma de adoração, ou através de uma idolatria dissimulada, onde não há um objeto de culto, mas há uma inclinação do coração em adorar outras coisas que não sejam Deus.

O dinheiro, o sexo e o poder são exemplos de coisas que são frequentemente adoradas por cristãos, que as colocam no centro de suas vidas, mas que aos domingos estão na igreja erguendo as mãos ao Senhor, dizendo que O adoram.

Todavia, a própria Bíblia nos relata que o Senhor é um Deus ciumento, que não divide a Sua glória (Isaías 42:8). Não há como adorar a Deus e outro deus, ou se adora um ou o outro. Quem divide seu coração entre dois deuses na verdade engana-se a si mesmo, pois o Senhor não recebe esse tipo de adoração. Jesus diz isso claramente à mulher Samaritana ao dizer que Deus procura quem O adore em espírito e em verdade (João 4:23).

A adoração a Deus não consiste apenas em palavras ou gestos prontos, mas na intenção do coração em se render a Ele e colocá-Lo no centro de tudo o que fizermos. Esses são os verdadeiros adoradores.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Como não viver desmotivado, mesmo sabendo que tudo é passageiro

 Texto de referência: Eclesiastes 2:23-25


O livro de Eclesiastes é uma extensão do livro de Provérbios. Escrito provavelmente por Salomão, o homem considerado mais sábio que já existiu, ele traz muitos conselhos. Mas a palavra mais marcante e talvez a mais encontrada em Eclesiastes é a palavra "vaidade".

Salomão foi um rei bastante festivo. Em sua juventude gostava de se alegrar, festejar e principalmente ter mulheres. Quando envelheceu, Salomão entendeu que a juventude, por melhor que seja, passa. E que tudo aquilo que fazemos, nós prestaremos contas.

Apesar de ressaltar bastante a vaidade das coisas, Salomão enfatiza a importância de se aproveitar a vida. Em diversos trechos, ele cita que aproveitar a vida, realizar-se profissionalmente e desfrutar das suas riquezas é dom de Deus.

Ao mesmo tempo que ele usa uma linguagem pessimista para dizer que tudo é vaidade e que nada se aproveitará após a morte, ele também ressalta que a vida não vale a pena para aqueles que vivem sem aproveitar as coisas boas que ela nos proporciona.

Todas essas reflexões não são contrariedades. Se nos atentássemos a essas regras poderíamos viver melhor. Se vivêssemos a vida nos lembrando que tudo dessa terra é vaidade, talvez poderíamos dar mais valor aquilo que verdadeiramente importa. Pensar na transitoriedade das coisas terrenas não significa viver desmotivado, achando que nada vale a pena. Podemos viver na terra desfrutando de tudo o que há nela, mas tendo a certeza que apesar de ser tudo muito bom, não durará para sempre.

Nesse sentido, as nossas atitudes não podem ser baseadas apenas no que vivenciamos no presente, temos que agir no presente pensando no futuro. O livro de Eclesiastes termina enfatizando a importância de temer a Deus e guardar os seus mandamentos, pois um dia todos seremos julgados, tanto pelo bem que fizemos, quanto pelo mal. 

Assim, o sábio percebeu que por mais proveitosa que fosse a sua vida aqui na terra, um dia todas as nossas atitudes nos serão cobradas e que viver em obediência a Deus é o melhor, pois assim poderemos desfrutar de uma vida abundante nessa terra, sem perder o nosso lugar com Ele na eternidade.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Conhecer a Deus é conhecer a Sua vontade

 Texto de referência: Êxodo 33:12-13


Poucos homens na Bíblia tiveram uma intimidade tão grande com Deus como Moisés. Na verdade, existem experiências entre Moisés e Deus que nenhum outro homem teve. Foi Moisés quem teve o privilégio de ouvir os Dez mandamentos e transmiti-los ao povo. Por quarenta dias aquele homem não comeu ou bebeu nada, sendo alimentado apenas pela presença do Senhor (Êxodo 34:28).

Outro fato singular ocorreu quando Moisés morreu. Após a sua morte no monte Nebo, o próprio Deus o sepultou, sendo que ninguém encontrou o lugar da sua sepultura (Deuteronômio 34:5-6).

Esses são apenas dois fatos que foram bastante diferentes, que não vimos em nenhum outro profeta, todavia, Moisés teve diversas outras experiências com Deus, onde falava com Ele como um homem fala com seu amigo.

Entretanto, mesmo após esses momentos tão intensos ao lado do Senhor, Moisés, em certo momento de sua vida, tem uma conversa com Deus. Ali, ele diz ao Senhor que este lhe dissera que o conhecia pelo nome. Isso era verdade, o Senhor conhecia Moisés, mas Moisés vai além, pede a Deus que lhe faça conhecer o caminho Dele, para que Moisés também O conhecesse.

Essa conversa nos retrata duas situações, onde Moisés é conhecido pelo Senhor, mas expressa o seu desejo em também conhecê-Lo. Podemos ser indagados sobre como poderia Moisés não conhecer o Senhor se ele já havia tido tantas experiências com Ele, mas o fato é que aquela conversa entre Moisés e Deus se deu em um momento onde Moisés queria saber de Deus se Ele andaria com o povo (v. 12). Antes de dizer que queria conhecê-lo, Moisés ressaltou que queria saber qual era a vontade do Senhor para eles.

Isso nos leva a crer que Moisés sentia que conhecia a Deus se soubesse a Sua vontade para eles. Conhecer a Deus vai além de termos experiências poderosas com Ele. Conhecemos a Deus quando nos é revelada a Sua vontade. E não há outra forma de O conhecermos senão pela Sua Palavra. A nossa intimidade com Deus aumenta proporcionalmente ao nosso conhecimento (e obediência, claro) à Sua Palavra.

O Senhor nos conhece, mas será que O conhecemos? Estamos no centro da Sua vontade ou queremos andar em nossos próprios caminhos? 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Arão: o líder negligente

Texto de referência: Êxodo 32:1-6 


Todos conhecemos Moisés e a grande libertação do povo no Egito que o Senhor operou por meio dele. Moisés desde o início do seu ministério contou com uma ajuda, a de Arão, seu irmão. Deus o havia instituído como boca de Moisés, para falar a Faraó a mensagem do Senhor. Mais tarde, Arão foi consagrado como o sacerdote do povo.

Entretanto, como todo ser humano, Arão teve suas falhas. Quando Moisés subiu ao monte Horebe onde Deus lhe falaria os principais estatutos dados ao povo, Arão ficou encarregado de cuidar deles.

Moisés ficou no monte por quarenta dias e enquanto ele estava lá, o povo se incomodou com a demora dele em voltar e pediu a Arão para lhes fazer um deus para guiá-los de volta ao Egito pois não sabiam o que poderia ter acontecido a Moisés.

Esse fato já demonstra a displicência de Arão em liderar o povo, pois se ele desempenhasse bem o seu papel de líder substituto, o povo de forma alguma sentiria falta de Moisés. A fala deles pedindo um deus para guiá-los indica que eles estavam no momento sem liderança.

Arão então, em vez de repreender o povo, os atende e fabrica um bezerro utilizando as jóias de ouro dadas pelo povo. Eles então se prostram perante o bezerro e começam a adorá-lo. Quando Moisés desce do monte, ele se revolta com o povo, que é castigado por Deus pela sua idolatria.

Sem dúvida o povo de Israel agiu completamente errado nessa situação. Todos que lemos a Bíblia sabemos como o povo de Israel era obstinado e rebelde contra Deus, todavia, faltou a Arão a sabedoria de um líder para não deixar que eles agissem daquela maneira.

O relato bíblico diz que Arão os deixou à solta, para vergonha deles (Êxodo 32:25). A atitude de Arão foi de um líder que ao invés de dirigir os seus liderados, se deixou levar pela vontade deles.

Como Arão, temos visto lideranças que não têm dirigido a sua comunidade, pelo contrário, tem se deixado influenciar pelos desejos do povo, e ao invés de fazerem o que é correto perante Deus, preferem se submeter aos desejos dos homens, para atendê-los. Muitos agem dessa forma com receio de perder membros da comunidade.

O papel do líder é central. Todos esperam que ele esteja no comando. Arão foi um líder relapso, que não atendeu às expectativas de Moisés em sua ausência. Não apenas isso, ele não repreendeu o povo em suas práticas pecaminosas, mas compactuou com elas. Enquanto lideranças, Deus espera de nós compromisso com a Sua obra. Temos que ser a voz de Deus ao povo, falando da salvação e do amor mas também pregando a santidade que Ele espera das pessoas.