quarta-feira, 18 de agosto de 2021

O que significa servir a Deus de coração íntegro e alma voluntária?

 "E serve-o de coração íntegro e alma voluntária." 1 Crônicas 28:9


Esse trecho da Bíblia é um conselho do rei Davi dado ao seu filho Salomão quando já estava perto de morrer. Davi foi um homem temente a Deus e durante a sua vida, serviu-o de todo o coração. Apesar dos seus erros, Davi não se afastou do Senhor, pois quando errou, teve a humildade de reconhecer seu pecado e se arrepender.

Agora, próximo à sua partida, Davi aconselha Salomão acerca de como deveria ser o seu relacionamento com Deus. Segundo Davi, Salomão deveria servi-lo de coração íntegro e alma voluntária.

Primeiramente vamos meditar acerca do que é um coração íntegro. A palavra íntegro diz respeito a algo inteiro, completo. Servir a Deus de coração íntegro é dar a ele todo o nosso coração, não apenas algumas partes. A falta de integridade no servir a Deus tem sido uma das principais falhas que temos visto no cristianismo do nosso tempo. Isso porque as pessoas até querem servir a Deus, mas não desejam abdicar das coisas do mundo. E assim, servem a Deus juntamente com o mundo. 

Mas na verdade, sabemos que aqueles que agem dessa forma, não estão servindo a Deus, mas ao diabo, pois a Bíblia diz que ninguém pode servir a dois senhores (Mateus 6:24). Quando tentamos trazer as práticas do mundo para a nossa vida cristã, estamos abandonando o Senhor. E portanto a importância de servi-Lo de coração íntegro, pois quando damos a Ele todo o nosso coração não há espaço para outros senhores.

O segundo conselho é servir a Deus de alma voluntária. A alma se refere a algo que está dentro de nós, no mais profundo do nosso ser. Por outro lado, fazer as coisas voluntariamente é fazê-las sem se sentir obrigado, realizando de forma espontânea.

Servir a Deus com uma alma voluntária é obedecê-Lo de forma espontânea, sem se sentir obrigado. Uma alma voluntária para Deus é aquela que fará a sua vontade por amor a Ele, não por medo de que algo ruim lhe aconteça. O Salmos 1 nos fala sobre um homem bem-sucedido em tudo o que executava. O segredo desse homem era ter prazer nos mandamentos do Senhor. Quando servimos a Deus de alma voluntária, tudo o que fazemos para Ele é permeado de amor e o maior intuito das nossas atitudes é agradá-Lo.

Esses foram os dois sábios conselhos de Davi a Salomão. Essa também é a palavra do Senhor para nós. Que possamos servi-Lo de coração íntegro e alma voluntária, pois essas são as chaves para uma caminhada vitoriosa.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Quando somos de Deus, Ele opera em nosso favor

"para que tudo se confirme, para que o teu nome seja engrandecido para sempre e os homens digam: ‘O SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, é Deus para Israel!’ E a descendência de teu servo Davi se manterá firme diante de ti." 1 Crônicas 17:24


Esse trecho da Bíblia foi dito por Davi quando ele engrandeceu a Deus acerca do que Deus havia dito a ele, de que estabeleceria o seu reino para sempre. Conforme disse Davi, o cuidado de Deus para com o seu povo, dando a eles um reinado sólido, engrandeceria o nome do Senhor, pois os homens reconheceriam que o Senhor dos Exércitos era Deus de Israel e Deus para Israel.

Perceba que há uma diferença sutil entre essas duas expressões. Na primeira, nós temos um Deus que é do povo, e na segunda, nós temos um Deus que é para o povo.

A primeira expressão, Deus de Israel, remete ao pertencimento do povo ao Senhor. Ser o Deus de Israel significa que o povo pertencia a Deus. Ele era o Senhor do seu povo. Pertencer a Deus significa ser sua propriedade exclusiva. Isso só é possível quando a nossa vida está totalmente entregue a Ele, não superficialmente, mas verdadeiramente. Uma vida entregue a Deus se solidifica quando Ele passa a fazer parte da nossa intimidade, quando Ele está presente nas coisas mais pequenas da nossa vida. 

Convidar a Deus para tomar café conosco, para estar conosco enquanto lavamos a louça ou tomamos banho não é ser louco ou fanático, mas desejar que Ele faça parte da nossa vida como um todo. Muitas pessoas têm selecionado as áreas da sua vida as quais desejam que Deus faça parte, pois em outras elas não desejam ter o Senhor envolvido. Mas quem age assim engana-se a si mesmo, pois ou temos o Senhor em todas as áreas da nossa vida, ou não o temos. Deus não se contenta com metade de nós. Entregar uma parte da nossa vida para Ele, no fundo significa não entregar nada. Foi o próprio Jesus quem disse que não podemos servir a dois senhores (Mateus 6:24).

A segunda expressão diz que Deus é para Israel. Nessa expressão a ênfase está na palavra para. Quando Davi diz que Deus é para Israel, ele se refere a um Deus que age em favor de Israel. Em toda a caminhada do povo de Deus, vemos como o Senhor agiu em favor daquele povo, guerreando em favor deles, e lhes dando a vitória em diversas situações.

Mas essa segunda expressão está relacionada à primeira, isto é, quando a nossa vida está entregue a Deus, ele age em nosso favor. Israel só poderia dizer que Deus era por eles, se eles fossem de Deus. Uma vida entregue a Deus abre caminhos para que o Senhor opere nesta vida. Só experimentaremos o favor do Senhor se a nossa vida estiver unida ao coração de Deus. Aí sim, poderemos dizer: Deus é por mim!


sábado, 14 de agosto de 2021

A história de Berias: o significado da nossa vida é Deus quem dá

 Texto de referência: I Crônicas 7:20-27


Quando José desceu ao Egito, ele teve dois filhos, Efraim e Manassés. Essas duas tribos se tornaram como se fossem uma só, e substituíram José na linhagem real. José era um homem temente a Deus. O seu filho Efraim também teve filhos, mas dois deles, chamados Ézer e Eleade, foram assassinados por terem roubado o gado dos homens daquela terra. O relato bíblico diz que Efraim chorou muito a morte dos seus filhos.

Algum tempo depois, sua esposa fica grávida novamente, e quando nasce o seu filho, Efraim lhe põe o nome de Berias, porque as coisas iam mal na sua casa.

Não se sabe o significado certo do nome Berias. Em algumas traduções, vemos como "desgraça" ou "calamidade". Mas o certo é que aquele nome não tinha um significado agradável. Sem dúvida, todas as vezes que Berias era chamado, ele sentia o peso da dor que o seu nome carregava. Em outras palavras, Berias sabia que nasceu em um momento de dor, e por isso, tinha aquele nome.

Tem sido muito comum nas famílias os pais transferirem a sua dor sobre os seus filhos. Foi o que Efraim fez com Berias. Ao invés de celebrar o nascimento do filho, deu a ele um nome que o fazia sempre se lembrar do drama que a sua família estava sofrendo. Essa atitude dá lugar a filhos que nascem revoltados ou deprimidos, por acharem que não deveriam ter nascido.

Mas Berias não se contentou com esse título de dor, pois ele foi o cabeça da linhagem de Josué, o homem que centenas de anos mais tarde, lideraria o povo de Israel na conquista da Terra Prometida. Muitas vezes a nossa história pode começar mal, mas existe um Deus que pode lhe dar um final feliz. Não importa a nossa situação hoje, Deus é poderoso para nos tirar os rótulos que a sociedade nos impõe e nos dar um novo nome.

Apesar de ser chamado de calamidade, Berias fez diferença na sua descendência, pois apesar de seu nascimento não ter sido planejado pelo homem, foi planejado por Deus para através dele, gerar a descendência do libertador de Israel. Não nascemos por acaso, todos nós temos uma missão dada por Deus. Nós não somos um erro nesta Terra, somos escolhidos por Deus para deixar um legado na nossa geração.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Dando a volta por cima: a história de Jabez

 Texto-base: 1 Crônicas 4:9-10


As genealogias na Bíblia não são textos muito fáceis de ler. Frequentemente saltamos essas partes nas escrituras por acharmos que elas só contém nomes de pessoas. Mas não devemos fazer isso, pois no meio dos nomes estranhos que encontramos nas descendências, nos deparamos com algumas histórias interessantes. Além disso, tudo o que está na Bíblia nos ensina de algum modo.

Uma dessas histórias interessantes é sobre Jabez, um descendente de Judá. Esse homem foi considerado mais ilustre do que seus irmãos, mas o início da sua vida não foi fácil. Ao nascer, sua mãe lhe colocou o nome de Jabez porque o havia dado à luz com dores. Nos tempos bíblicos o nome era algo muito importante, na verdade ele simbolizava algo sobre a pessoa ou sobre a conjuntura em que a pessoa nasceu. Não que nos dias de hoje o nome não seja importante, mas em nossa cultura, muitas vezes o nome é escolhido mais pela afinidade do que pelo seu significado.

Para Jabez, ser chamado pelo seu nome era sempre lembrar que ele gerou dores em sua mãe. Mas Jabez não se conformou com aquela situação. Em certa ocasião ele orou ao Senhor pedindo-lhe para que ele fosse abençoado, próspero, que o Senhor estivesse sempre presente em sua vida e que ele fosse livre do mal e das aflições. Então, Deus lhe concedeu tudo o que ele havia pedido. E por isso, aquele homem se destacou na sua geração.

O pedido de Jabez foi ousado, pois ele pediu diversas coisas de uma só vez. Ele pediu a bênção de Deus, a prosperidade, a Sua presença e a proteção d'Ele. Jabez pediu tudo o que precisamos e gostaríamos de pedir ao Senhor. E Deus concedeu a ele o que pediu.

A vida de Jabez nos ensina duas coisas importantes: a primeira é que não precisamos nos conformar com os rótulos que colocaram em nós. Se algum dia fomos rotulados de forma preconceituosa ou pejorativa, sabemos que Deus é aquele que muda a nossa história. Não importa em qual condição estamos hoje, importa quem nós podemos ser em Deus.

O segundo fato que aprendemos com Jabez é que podemos pedir ao Senhor com fé, que Ele nos ouvirá. O fato de Jabez não se conformar com a sua condição a qual lhe impuseram, já era uma atitude de fé, de que algum dia sua situação mudaria. Ele teve fé, ousou confiar no poder de Deus e foi referência entre o seu povo.

Assim como Jabez, nós podemos hoje nos levantar, sair da condição de humilhação a qual fomos impostos e nos colocarmos na posição que Deus tem para nós, mais que vencedores (Romanos 8:37)! Nada menos que isso. 

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Apolo: o pregador que conheceu o poder do Espírito Santo

Texto de referência: Atos 18:24-28


Nos tempos da igreja primitiva surgiu entre os apóstolos um homem chamado Apolo. Ele era um judeu seguidor de Jesus. Conhecia bem as escrituras e falava sobre elas, sempre de modo muito persuasivo. Apolo era um habilidoso pregador, pois tinha em si todas as habilidades externas necessárias a alguém com esse dom, pois ele conhecia as escrituras e sabia explicá-las de forma convincente.

Entretanto, após ser ouvido por dois discípulos da igreja, chamados Áquila e Priscila, eles perceberam que faltava algo em Apolo. Ao lhe conhecerem melhor, o casal percebeu que ele conhecia apenas o batismo de João, isto é, aquele homem não havia recebido o batismo no Espírito.

Eles então convidaram Apolo a estar um tempo com eles, onde puderam falar a ele acerca do Espírito. Apolo compreendeu que o caminho de Deus não é completo sem o Espírito e com Ele caminhando conosco, a exposição da Palavra ganha um novo sentido.

Após esse aprendizado, Apolo saiu para a região da Acaia e ali começou a expor a Palavra. Agora o ministério de Apolo estava diferente, pois ele estava cheio do poder de Deus e não apenas falava de forma eloquente, mas convencia publicamente os judeus que o ouviam.

Apolo já era um servo de Cristo e já tinha a palavra em seu coração, mas faltava algo mais em seu ministério, faltava-lhe o Espírito Santo. Quando somos batizados no Espírito Santo, a exposição da Palavra de Deus ganha um novo formato, pois é o Espírito que dá poder e convencimento às nossas palavras. Sem o Espírito, as nossas palavras se tornam meras letras.

O problema é que nós cristãos  temos nos contentado em apenas receber o Espírito Santo, sem buscarmos ser batizados n'Ele. O batismo no Espírito é que nos fará sermos cheios d'Ele, na medida em que necessitamos, não apenas queremos. Apolo teve essa experiência e o seu ministério foi totalmente transformado.

domingo, 8 de agosto de 2021

Acaz: o rei que criou o seu próprio altar

 Texto de referência: 2 Reis 16:10-18


Dentre os diversos reis que Judá teve no período bíblico, um deles se chamava Acaz. Apesar de ser neto de Uzias, um rei muito próspero e que servia a Deus, Acaz teve um reinado deplorável. Naquela época, o reino de Judá estava cercado por diversas nações idólatras, que adoravam deuses estranhos. Uma dessas nações era a Assíria.

Para tentar fugir da perseguição da Síria, Acaz fez aliança com o rei da Assíria. Em certa ocasião, quando foi a Damasco (que na época pertencia à Assíria) visitar o rei assírio, Acaz viu ali um altar que este fez aos seus deuses. Acaz, que estava com o coração tomado pela idolatria, enviou a planta do altar e pediu ao seu sacerdote Urias que fizesse um igual para ele.

O sacerdote, em vez de recusar a fazer parte daquele ato idólatra, obedeceu a ordem de Acaz. Quando o rei de Judá chegou e viu o altar, queimou holocaustos, fez ofertas e sacrifícios. Como se não bastasse tudo isso, ele ainda retirou da casa do Senhor o altar da verdadeira adoração.

Acaz não construiu um altar para deuses estranhos, mas para si mesmo. Usurpando o lugar de um sacerdote, Acaz intentou fazer em seu altar idólatra os mesmos rituais que se faziam no altar do Senhor. Acobertado pelo sacerdote Urias, que não repreendeu a loucura de Acaz, ele buscou um ritual vazio de adoração.

Nem todo ritual de adoração é ao Deus verdadeiro, e nem toda adoração a Deus, Ele recebe. Muitas vezes temos entrado no ambiente da adoração para exaltar a nós mesmos, em vez de adorarmos a Deus. Lançamos as nossas dificuldades, os nossos anseios, as nossas preocupações, nos colocamos no centro do processo, e nos esquecemos de nos entregar por inteiro, que é o verdadeiro sentido da adoração.

A adoração simboliza a entrega, e por isso Deus diz que se agrada de um coração contrito mais do que de sacrifícios (Salmos 51:17). Deus também diz que glorificamos a Ele quando oferecemos sacrifícios de ações de graças (Salmos 50:23). Acaz criou um altar para adorar a si mesmo, para satisfazer o seu ego inflado. Que possamos dar a Deus a verdadeira adoração, que não se limita a lugares ou rituais, mas que vem de dentro, e é verdadeira. 

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Eliseu: o profeta da ousadia, da santidade e abnegação

 Textos de referência: 1 Reis 19:19-21; 2 Reis 4-7


O início da descrição bíblica do ministério de Eliseu se inicia quando Elias o chama para segui-lo e Eliseu, que estava cuidando de bois, larga tudo, despede-se da sua família, imola os bois os quais estava cuidando e começa a seguir Elias. A partir daí, a Bíblia relata que Eliseu o servia. Em outro relato mais adiante, Eliseu é conhecido como aquele que lavava as mãos de Elias. Dessa forma, percebemos que o ministério de Eliseu começou com ele servindo o homem que exercia autoridade sobre ele.

Após a subida de Elias ao céu, Eliseu assume o seu lugar como líder dos profetas. A princípio, ele mesmo não se impõe através da sua fé, pois para abrir e atravessar o rio Jordão, ele utiliza a capa de Elias e ora ao Senhor, clamando ao "Deus de Elias". Mas aos poucos, o ministério de Eliseu começa a ganhar notoriedade.

Assim como Elias, percebe-se que uma das características marcantes do ministério de Eliseu era a sua ousadia no Senhor. Eliseu não tinha medo e confiava no poder do Senhor para operar milagres. Através da sua vida, Deus operou grandemente em diversas situações, até mesmo na ressurreição de mortos. Mas um atributo de Eliseu que nos chama a atenção era a santidade. Foi por ser visto como um homem santo, que a mulher sunamita fez exclusivamente para ele um quarto em sua casa.

Por fim, Eliseu demonstrou em seu ministério que não era ganancioso. Essa atitude é vista logo no início, quando ele foi chamado e largou o seu trabalho e família para cumprir a sua vocação ministerial. É confirmada quando o Senhor o usou para trazer a cura da lepra ao comandante do exército siro. Nesta oportunidade, ele ofereceu a Eliseu muitas riquezas, as quais foram recusadas por ele. Essa atitude foi tão surpreendente que causou indignação no seu ajudante, que ao tentar pegar para si um pouco das riquezas que Eliseu desprezou, acabou sendo castigado.

Mesmo após a sua morte, o ministério de Eliseu continuou a frutificar, pois os seus ossos ao tocarem um cadáver que havia sido enterrado em seu túmulo, fez reviver um homem.

Todo o ministério de Eliseu não cabe nesse pequeno relato, pois ele foi um profeta e homem extraordinário. Mas se formos caracterizar o ministério de Eliseu em três características, podemos citar a ousadia, a santidade e a abnegação. São características que Deus quer também em nós, ousadia para crer no poder d'Ele, não importa a dificuldade da situação, santidade para renunciar diariamente o pecado e o mundo, abnegação para que as coisas terrenas não venham a ocupar o lugar do Senhor em nosso coração.