quarta-feira, 2 de junho de 2021

O segredo dos gibeonitas

 Texto de referência: Josué 9


Durante o tempo em que Josué comandou o povo de Israel, chegaram a ele um povo um tanto estranho. Uma caravana de homens com roupas velhas, com pães embolorados, dizendo que vieram de uma terra distante e gostariam de fazer aliança com Israel. A ordem de Deus era que todas as nações ao redor de Israel fossem destruídas, mas como aquele povo era de terras distantes, eles resolveram se aliançar com eles. Acontece que na verdade aquele povo era de Gibeão, um território vizinho a Israel. 

Quando Josué fica sabendo desse fato e interroga os gibeonitas, eles reconhecem que mentiram por temerem o povo de Deus, pois sabiam que Deus estava ao lado de Israel e já havia decretado a vitória deles. Eles acreditavam que era melhor estar ao lado do povo de Deus, mesmo como escravos, mas estarem vivos, do que estarem na terra deles, com seus deuses, mas serem derrotados. O interessante é que os gibeonitas não eram um povo fraco, mas eles foram relatados como uma nação grande e de homens valentes (Josué 10:2). Embora tivessem características humanas favoráveis à guerra, eles sabiam que seriam derrotados, pois reconheceram que Deus estava com os israelitas.

Como punição aos gibeonitas, os israelitas lhes deram a função de tiradores de água e rachadores de lenha para o povo de Israel e para o serviço do altar de Deus. Aquele povo, outrora estranho, agora estava com o povo de Deus e servindo na casa do Senhor.

O povo de Gibeão se tornou tão especial para o Senhor que, ao serem atacados logo após a aliança deles com Israel, eles pediram socorro aos israelitas que foram ajudá-los. Nessa batalha, o sol e a lua pararam, até que o povo de Deus vencesse. Muito tempo depois, quando o rei Saul matou alguns gibeonitas, o Senhor castigou o território israelita, até que a justiça fosse feita àquele povo (2 Samuel 21:1-6).

A história dos gibeonitas demonstra o cuidado de Deus para com aqueles que têm fé n'Ele e trabalham para a Sua obra, independentemente de sua origem. Mesmo tendo construído a história daquele reino longe do Senhor, os gibeonitas decidiram viver uma nova vida, agora junto ao povo de Deus e trabalhando para a Sua obra. Eles foram honrados nas batalhas e reconhecidos pelo Senhor.

terça-feira, 1 de junho de 2021

Raabe: de uma vida no pecado à descendência do Messias

 Texto de referência: Josué 2; 6:22


Raabe, uma prostituta e moradora da cidade de Jericó tem sua trajetória nos relatos bíblicos iniciada quando o povo de Israel está no limite da terra prometida e planejam um ataque à sua cidade. Quando Josué enviou espias até Jericó, eles encontraram Raabe na entrada da cidade, e ela lhes ofereceu abrigo.

Na verdade, Raabe sabia que em poucos dias Jericó seria atacada e utilizou a estratégia de acolher os espias como uma forma de salvar a si e à sua família. E realmente Raabe foi salva, pois no ataque a Jericó, ela e seus familiares foram salvos da morte. A história de Raabe na Bíblia poderia ter se findado aí, mas não se findou. Raabe foi descrita mais adiante em duas passagens; a primeira quando há a descrição da genealogia de Jesus e a segunda na passagem que fala acerca dos heróis da fé. Isso nos faz refletir que a fé de Raabe não se limitou apenas a estratégia para fugir da morte, mas ela verdadeiramente cria em Deus.

Quando os espias foram até a casa de Raabe, ela os acolheu e os escondeu para não serem pegos pelo rei de Jericó. Ao conversar com eles, Raabe fez a sua confissão de fé, dizendo crer que Deus havia dado diversas vitórias ao povo de Israel e que Ele era o único Deus. Apesar de Raabe viver em um território idólatra, tudo o que ela ouviu de Deus foi o suficiente para ela crer n'Ele. Isso a colocava à frente de muitos israelitas, que não apenas ouviam, mas viam as maravilhas de Deus e mesmo assim continuavam a duvidar da Sua capacidade em livrá-los dos seus inimigos. Essa atitude de Raabe a colocou nos relatos de fé ao lado de grandes homens de Deus.

Quando Deus concedeu a Raabe a oportunidade de sair viva de Jericó, Ele não apenas lhe concedeu a oportunidade de viver fisicamente, mas de viver com Ele. Os relatos bíblicos não apontam com clareza, mas provavelmente Raabe se converteu ao povo de Deus e saiu da vida de prostituição, pois no território israelita essa prática era passível de pena de morte. Raabe se casou com um homem israelita, que gerou a quarta geração antecessora do rei Davi, e principalmente a descendência de Jesus.

Raabe, uma mulher que viveu na prostituição, ouviu falar do Senhor, creu n'Ele e viu sua vida ser transformada. O que definiu o futuro daquela mulher foi a graça, sem dúvida, mas ela precisou ter fé Naquele que concede a graça. Ela precisou tomar uma decisão, abandonar os falsos deuses e acreditar no Deus verdadeiro. A partir dessa atitude, a vida de Raabe foi transformada. 

Ainda hoje, Deus procura as Raabe's da nossa geração. Mulheres que estão no pecado, desacreditadas pela sociedade, mas que ouviram sobre o Senhor, e têm a oportunidade de escolher entre permanecer no pecado que lhes trará a morte, ou sair de Jericó, abraçar a santidade e escrever uma nova página da sua história. 

segunda-feira, 31 de maio de 2021

A passagem do rio Jordão

 Texto de referência: Josué 3


Após a morte de Moisés, Josué toma a liderança do povo de Deus para conquistar a Terra Prometida.  Era chegada a hora deles alcançarem a promessa dita desde o patriarca Abraão. Essa missão não seria fácil, mas a vitória já estava garantida, pois ao lado deles estava o Senhor.

Um dos primeiros obstáculos enfrentados no limiar da terra foi a passagem pelo rio Jordão. Eles precisavam atravessá-lo para conseguirem chegar até a cidade de Jericó, o primeiro território a ser enfrentado. O problema é que o rio estava cheio. Eles já haviam passado por uma situação semelhante, no episódio do Mar Vermelho. Naquela ocasião, eles se desesperaram achando que morreriam, mas Deus ordenou a Moisés que estendesse o seu cajado sobre o mar, para que ele se abrisse.

E agora novamente Deus vem ao encontro daquele povo. Dessa vez a ordem do Senhor foi para que a Arca da Aliança fosse na frente, e quando os sacerdotes que carregavam a arca tocassem os pés no rio, ele também se abriria. Ao obedecerem a ordem de Deus o rio se abriu e todos passaram. Os sacerdotes ficaram dentro do rio Jordão até que todo o povo passasse.

A passagem do povo de Israel pelo rio Jordão nos ensina muitas coisas acerca do agir de Deus. As batalhas da nossa vida podem até serem semelhantes, mas jamais serão as mesmas. Em cada situação o Senhor nos conduz de uma maneira. Mas uma coisa é igual para todos os que crêem: a vitória. Se confiarmos em Deus, não importa o tamanho ou o tipo da batalha, Deus nos conduz em vitória perante todas elas.

Além disso, cada batalha é uma oportunidade que temos de amadurecer a nossa fé. Sem dúvida, na passagem do rio Jordão aquele povo já tinha a experiência do Mar Vermelho e se sentiam mais seguros para enfrentar aquela situação.

Por fim, a forma como o rio se abriu nos mostra acerca da autoridade de Deus em nós para vencermos as batalhas. Da mesma forma como a presença de Deus - representada pela arca - ia adiante do povo e os pés dos sacerdotes abriram o rio assim que os tocaram, o Senhor, através da Sua presença em nós já nos revestiu da autoridade necessária para superarmos os obstáculos que se colocam em nosso caminho.

O rio Jordão não foi páreo para o povo de Deus, pois o Senhor estava ao lado deles. Os obstáculos que surgirem diante de nós para tentar nos impedir de alcançar o que Deus tem para nós também serão destruídos, pois o Senhor está conosco.

sábado, 29 de maio de 2021

Seu lugar é em Canaã, não se contente com Harã

 Texto de referência: Gênesis 11:31-32


Quando ouvimos a palavra Canaã logo fazemos referência à terra prometida. Esse povoado surgiu a partir de Cam, descendente de Noé. Houve um episódio em que Noé se embriagou e ficou nu. Seu filho Cam ao invés de ajudá-lo, zombou dele. Quando Noé se restabeleceu e ficou sabendo, pronunciou uma maldição sobre Cam, também denominado Canaã, de que ele seria servo de Sem, outro filho de Noé (Gênesis 9:26). Na linhagem de Sem, o povo de Deus seria estabelecido. 

Muitas anos depois, um homem da geração de Sem, chamado Tera, partiu da terra de Ur dos Caldeus em direção a terra de Canaã. Ele vai com seu filho Abrão e sua a esposa, e com seu neto Ló. Todavia, eles não chegam até Canaã. Quando eles chegam até um povoado chamado Harã, eles se estabelecem ali.

Após a morte de Tera, Deus chama seu filho Abrão para sair de Harã e partir em direção a um terra até então desconhecida, mas que depois seria revelada por Deus de que seria Canaã.

Não se sabe os motivos os quais levaram Tera a sair de Ur em direção a Canaã, mas diante da maldição proferida sobre Cam, sabemos que em algum momento aquele povoado seria ocupado pelos descendentes de Sem. 

Também não se sabe por que Tera não completou a sua jornada até Canaã, tendo ficado em Harã, entretanto, pelo chamado de Deus a Abrão, sabemos que seria a partir da linhagem de Tera que o povo de Deus seria estabelecido.

Essa história nos chama a atenção ao percebermos que um homem parte em direção ao cumprimento de uma promessa, mas decide parar no meio do caminho. Mas, como os desígnios de Deus não podem ser frustrados, Abrão seu filho segue o caminho que o seu pai iniciou, mas não concluiu.

Como Tera, muitas vezes estamos caminhando em direção às promessas de Deus, mas por diversos motivos paramos no meio do caminho. Alguns elementos podem nos fazer retroceder: o cansaço, o desânimo, o medo ou o pecado. Tudo isso nos distancia dos propósitos de Deus para nós. Tera poderia ter chegado até Canaã e iniciado a geração do povo de Deus. Mas por ter permanecido em Harã, essa geração acabou sendo passada para seu filho Abrão.

Se Deus nos chama à terra da promessa, temos que acreditar que Ele já nos capacitou para chegarmos até lá. Não podemos parar no meio do caminho e nos contentarmos com Harã. Se Deus nos chamou para Canaã, lá é o nosso lugar.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Força x Coragem

 Texto de referência: "Sê forte e corajoso, porque tu farás este povo herdar a terra que, sob juramento, prometi dar a seus pais." Josué 1:6


Para muitos, força e coragem são sinônimos, mas a palavra do Senhor nos mostra um sentido diferente a esses dois substantivos. Quando Deus chamou Josué para assumir o seu posto de líder do povo de Israel, Ele adiantou que era preciso que Josué fosse forte e corajoso. Isso nos faz refletir sobre as diferenças que existem em cada um desses atributos.

A força é o contrário da fraqueza. Ser forte não necessariamente significa não termos fraquezas, mas implica em não nos rendermos a elas, isto é, não deixar que elas nos dominem.

Paulo fez um relato em sua carta aos Coríntios que nos faz entendermos um pouco sobre o que é a fraqueza. Ao relatar sobre o espinho na carne o qual ele convivia para que não se ensoberbece diante das revelações que lhes foram dadas, Paulo diz que era nos momentos de fraqueza que o poder de Deus se manifestava em sua vida. E ele relata algumas coisas que o deixava fraco, sendo elas: angústias, necessidades, perseguições e injúrias (2 Coríntios 12:10). A fraqueza é um estado que sobrevém quando estamos diante de elementos que ferem o nosso bem-estar. Diante dessas situações nos sentimos impotentes e desanimados e a fraqueza encontra lugar para se instalar em nós.

Por outro lado, a coragem é o oposto do medo. Quando Deus diz que Ele não nos deu espírito de medo, Ele nos diz que nos deu o espírito de coragem. Da mesma forma que ocorre com a força, ter coragem não significa ausência total de medo, mas a capacidade de não sermos dominados por ele. Ser corajoso é enfrentar as adversidades sem nos deixarmos intimidar por elas. São muitas as palavras do Senhor para não temermos, mesmo diante das mais conflituosas situações.

Força e coragem, dois elementos que o Senhor requereu de Josué quando ele foi assumir o maior desafio da sua vida, ajudar o povo de Deus a entrar na terra prometida. Esses atributos foram necessários para que Josué cumprisse a sua missão. Conosco não é diferente. Para cumprirmos aquilo que o Senhor requer de nós também necessitamos de força e coragem. Por tudo o que conhecemos da Palavra do Senhor, sabemos que esses atributos estão à nossa disposição, basta tomarmos posse.

quinta-feira, 27 de maio de 2021

O poder da palavra de Deus

Texto de referência: Salmos 29:4-9


No antigo testamento eram comuns os relatos acerca de homens que ouviam a voz de Deus de forma audível. Moisés é um dos maiores exemplos de homens que ouviram a voz de Deus da mesma forma como ouvimos a voz de pessoas comuns. Mas ele não é o único. Como Moisés, outros homens também tiveram experiência, os quais podemos citar Abraão, Isaque e Jacó, Josué, Elias e Eliseu.

Mas a partir da nova aliança, representada pela vinda de Jesus a essa terra, o Senhor passou a nos falar pela Palavra, o verbo feito carne. Hoje, quando falamos em ouvir a voz de Deus, não nos referimos mais ao som audível, mas à Sua Palavra.

O Salmos 29 exalta a voz de Deus, mostrando em alguns versículos os atributos da Sua voz. O salmista ressalta o poder e a majestade da voz de Deus (v.4), que também é capaz de destruir coisas muito resistentes, como por exemplo, o cedro (v. 5). Outras características da voz de Deus são a capacidade de queimar (v.7), estremecer estruturas (v. 8), dar a vida e criar coisas ou de destruir elementos já criados (v.9). 

Se em cada expressão "voz de Deus" substituirmos por "Palavra de Deus", podemos ter a noção do poder que há nela. A Palavra do Senhor é cheia de majestade e glória, nela encontramos o que precisamos para que obstáculos sejam removidos, o que não existe possa ser criado e o que é endurecido seja quebrantado.

Entretanto, temos diminuído aos nossos olhos o poder da Palavra, não crendo naquilo que ela pode realizar por nós. Em muitas situações, estamos esperando ouvir de forma audível e sobrenatural a voz de Deus, sendo que temos ela ao nosso dispor, através das Escrituras. A voz de Deus é a Sua Palavra, é por meio dela que vamos ser instruídos, repreendidos e fortalecidos. Ao abrir a Palavra, que possamos entendê-la como o falar extraordinário de Deus conosco.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Os caminhos da obediência

 Texto de referência: Deuteronômio 30:15-20


Dentre os livros do pentateuco o livro de Deuteronômio se destaca por um assunto: a obediência a Deus. Enquanto Gênesis retrata a história dos patriarcas, Êxodo e Números relatam a saída do povo do Egito e a caminhada pelo deserto, Levítico aborda sobre as leis de Deus, Deuteronômio faz uma síntese acerca do povo no deserto e das leis, mas dedica seus últimos capítulos a convocar o povo de Deus à obediência.

Em toda a caminhada do povo pelo deserto, Deus foi lhes dando as suas leis de forma escrita. Eram muitas leis e todas, sem exceção, deveriam ser guardadas. Cada lei, decreto e ordem tinha o seu propósito, tanto em refletir o amor pelo próximo, quanto em refletir a adoração do povo ao Senhor.

A obediência do povo os levaria a uma abundância inexorável, eles seriam abençoados em tudo e essa bênção de Deus seria notória a todos os povos. Por outro lado, a desobediência traria consequências terríveis, inimagináveis, e aquele povo seria envergonhado em tudo o que fizesse.

O Senhor ainda alerta que o povo não teria desculpas para não cumprir a lei alegando estar ela longe deles, pois ela havia sido dada pelo próprio Deus através de Moisés. Todas as palavras foram escritas em pedras para que não se perdessem, então não apenas o povo, mas a sua descendência a conheceria. 

Por fim, Moisés faz um paralelo entre a obediência e a desobediência, comparando-as com a vida e a morte, respectivamente. Ele alerta ao povo de que estava sendo colocado diante deles esses dois caminhos, e que eles eram livres para escolherem aquilo que eles quisessem, conscientes de que ambos lhes trariam consequências, positivas ou negativas.

Apesar de Deuteronômio ser um livro da velha aliança, no tempo da lei, os seus ensinamentos continuam válidos entre nós cristãos. A obediência a Deus não fica ultrapassada e ela é exigida de nós diariamente, nas pequenas coisas.

Se formos notar as leis de Deus descritas em Levíticos há ordenanças acerca de grandes coisas, mas também acerca de pequenas.

Os crimes graves foram citados, mas as práticas cotidianas também. Obedecer a Deus vai além de não matar, roubar, adulterar ou coisas nesse sentido. Implica também em ações do nosso dia a dia, quando por exemplo não entramos em uma roda de conversa que envolve fofoca, não aceitamos "pequenas mentiras" ou deixamos de lado a internet para nos conectarmos mais a Deus.

Obedecer a Deus é uma escolha diária. Todos os dias temos à nossa disposição duas alternativas, o mal e o bem, a vida e a morte. Que possamos escolher sempre o bem e a vida, e assim colheremos todas as bênçãos que o Senhor nos promete através da obediência.