terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Sobre maturidade

Envelhecimento é diferente de maturidade. O primeiro tem a ver com a idade, o segundo se refere ao tempo certo das coisas. Uma fruta madura é aquela que enfrentou todo um processo, desde a sua concepção, passando pelo seu crescimento, até o momento certo de ser colhida.
Espera-se que todas as pessoas envelheçam, mas também espera-se que todas as pessoas amadureçam. É o natural da vida: envelhecer e amadurecer. Se o tempo nos traz o envelhecimento, deve também trazer maturidade. Todavia, apesar de todos envelhecerem, nem todos amadurecem.

A Bíblia nos relata acerca de pessoas que amadureceram com o passar dos anos, e então viram sua vida florescer.

José foi um jovem imaturo em sua juventude. Agindo com irresponsabilidade, denunciava seus irmãos perante seu pai, acendendo a ira destes. Agindo de forma imatura, contava sonhos a sua família e exaltava a si próprio. Após ser vendido como escravo, acusado injustamente de adultério, viver por anos em uma prisão, José amadureceu. Ele aprendeu a calar e a falar no tempo certo. A maturidade o ajudou no processo de perdoar seus irmãos. José aprendeu a receber as coisas na hora certa. E se tornou o segundo homem mais poderoso do império egípcio.

Pedro é outro exemplo de alguém que amadureceu. No decorrer do seu ministério ao lado de Jesus ele cometeu erros. Falou demais ao repreender Jesus quando este falava sobre sua dolorosa morte, agiu com impulsão cortando a orelha de um dos homens que queriam prender Jesus. Por três vezes negou conhecer Jesus. Mas com o decorrer do tempo, a presença do Espírito na vida dele fez Pedro se tornar um homem diferente: aquele que um dia negou a Cristo levou de uma só vez três mil pessoas à conversão e morreu como um mártir, dando a sua vida por amor ao Evangelho.

Poderíamos citar outros exemplos bíblicos de imaturidade, como Sansão, que agia impulsivamente, não medindo as consequências dos seus atos, ou de maturidade como Abigail, que agiu da forma correta e falou na hora certa perante o seu esposo e perante Davi. 

Andar com Deus e seguir as orientações do Espírito nos faz pessoas maduras, Mas, é preciso entender que a maturidade é um processo e uma escolha, pois podemos receber de Deus a orientação correta e escolhermos agir do nosso jeito. No âmbito do processo, não nascemos maduros, amadurecemos com o tempo. Todos os dias temos a oportunidade de subir mais um degrau rumo à maturidade. Isso não pode ser desperdiçado.


domingo, 14 de fevereiro de 2021

Quatro passos para alcançarmos a vida eterna

 Texto-base: Filipenses 3:10-11


De todos os nossos anseios enquanto cristãos, um deles é latente: queremos ser achados em Cristo, isto é, queremos que as pessoas que convivam conosco encontrem Cristo em nós. Mas também ansiamos por outra coisa: alcançar a vida eterna, através da ressurreição. Nessa vida queremos Cristo, e após essa vida o desejamos mais ainda.

Entretanto, alcançar a vida eterna é um grande desafio, afinal, vivemos em um mundo que jaz no maligno. Buscar as coisas de Deus é andar na contramão do mundo. Negar a nós mesmos para viver em Cristo é uma contracultura, pois a cultura do mundo é satisfazer a nós mesmos, e tudo o que mais ouvimos é que o importante é ser feliz. Mas o apóstolo Paulo nos dá quatro revelações importantes sobre como buscar obter a vida eterna.

Conhecer a Jesus: conhecemos a Cristo quando mergulhamos em Sua Palavra. Aprofundar na palavra de Deus não se resume a lê-la, mas buscar as revelações espirituais que ela nos traz e obedecer ao que ela diz.

Conhecer o poder da Sua ressurreição: a ressurreição de Jesus nos trouxe muitas vitórias, mas a principal delas foi a supremacia de Jesus sobre a morte. A morte não é mais o fim do cristão, ela é apenas uma passagem para uma nova vida.

Reconhecer a comunhão dos Seus sofrimentos: apesar de ser filho de Deus, Cristo sofreu nessa terra. Ele foi humilhado, rejeitado e traído. Comungar com Seus sofrimentos é saber que nessa terra também enfrentamos sofrimentos, como Cristo enfrentou. Entretanto, isso não deve nos desanimar, pois apesar de Cristo ter sofrido, não recordamos Dele como alguém que sofreu, mas que, a despeito de todo sofrimento, ensinou o amor e venceu.

Conformar-nos com Ele na Sua morte: conformar com Cristo na Sua morte é morrermos com Ele, isto é, ter em nós o mesmo sentimento de Cristo ao padecer na cruz, um sentimento de obediência completa ao Pai. Assim como Cristo se esvaziou de Si mesmo, nós também devemos nos esvaziar do nosso próprio "eu" para vivermos a completa vontade de Deus em nós.

Sabemos que a salvação vem pela graça, isto é, não existem obras que possamos fazer para merecermos ela, mas apesar de ser pela graça, só a obtém quem crê nessa graça, obtida através do sacrifício de Jesus. O destino da nossa caminhada cristã é o céu. Alcançar a vida eterna é um longo processo, mas podemos ter a certeza que se buscarmos de coração a Deus, obteremos êxito em nossa busca.


sábado, 13 de fevereiro de 2021

Espinheiro ou cipreste? Sarça ou murta?

Texto-base: Isaías 55:13 "Em lugar do espinheiro, crescerá o cipreste, e em lugar da sarça, crescerá a murta; e será isto glória para o Senhor e memorial eterno, que jamais será extinto."


A Bíblia é cheia de citações botânicas. Como as plantas faziam (e ainda fazem) parte do nosso cotidiano, há muitas comparações sobre plantas nas narrativas bíblicas. Em uma delas, o Senhor ao dar esperança de dias melhores ao povo de Israel, compara o espinheiro com o cipreste e a sarça com a murta.

O Senhor chama o povo ao arrependimento, e os convida ao banquete da graça, que não necessita de dinheiro, obras ou sacrifícios para se manifestar. Esse banquete é para todos que a receberem, não importando de onde vierem.

Nessa nova vida que o povo iria viver, haveria transformação: em lugar do espinheiro haveria cipreste, e em lugar da sarça haveria a murta.

Tanto o espinheiro como a sarça possuem duas características em comum: são árvores secas e que possuem espinhos, afugentando portanto as pessoas delas. A árvore seca não possui vida, não é atraente às pessoas, não possui beleza. Já o cipreste e a murta, apesar de serem plantas diferentes, também possuem duas características similares: suas folhas não caem e ficam sempre verdes. 

Assim como o Senhor chama Israel a um novo tempo, Ele também nos chama. Deus quer que saiamos de uma vida seca e espinhosa, para vivermos o melhor Dele para nós. Ele nos quer sempre verdes e cheios de vida. E por isso esse texto se inicia nos convidando a vir para Deus, a experimentar o que Ele tem para nós de mais precioso, que é a Sua graça.

Quando nos abrimos ao Senhor e começamos a viver debaixo dessa graça, a morte já não tem lugar em nós. O pecado, que antes nos escravizava e trazia morte, já não tem poder sobre nós. Viver com Deus é nos libertar da sequidão e dos espinhos, que afastam as pessoas de nós, para nos enchermos de folhas verdes. A vida e consequentemente a alegria de Deus atraem as pessoas para perto de nós.

A vida é feita de escolhas e hoje nos deparamos com duas opções: ou somos espinheiros e sarça, secos e sem vida, ou escolhemos ser ciprestes e murta, que não se secam e são cheios de beleza. A segunda opção é a melhor e só ao lado de Deus poderemos viver assim.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Desvia os meus olhos das distrações

"Desvia os meus olhos das coisas inúteis; faze-me viver nos caminhos que traçaste". Salmos 119:37


O pecado é o principal obstáculo que nos afasta de Deus. Contra ele, devemos unir todas as nossas forças a fim de combatê-lo. Mas existe também outra coisa que tem o poder de nos afastar de Deus e do que Ele tem para nós: as distrações.

As distrações são elementos que não são necessariamente pecado, mas que se não soubermos gerenciá-los, nos levarão ao pecado, nos afastando de Deus. O salmista do texto acima também sabia da existência das distrações, tanto que pediu ao Senhor para livrá-lo daquilo que ele chamou de inútil, para poder viver nos caminhos que Deus traçou para ele. Isso significa que as distrações nos tiram do propósito de Deus para nós.

O entretenimento é uma distração: o shopping, as pizzarias, os seriados, os clubes, tudo isso se não forem utilizados com equilíbrio, roubam o nosso tempo com Deus.

A internet é outra distração que tem roubado a vida com Deus de muitos cristãos. Seja pelas redes sociais, pelo YouTube, pelos games, pelas inúmeras atrações que ela oferece, muitas pessoas têm deixado de orar, ler a Bíblia e estar na presença de Deus para curtir um tempo mais na Web. Ainda que você esteja ouvindo singles cristãos ou pregando em seus grupos de WhatsApp, o seu tempo a sós com Deus não deve ser substituído por nada.

Os afazeres também são outra distração. Muitas vezes se não deixamos tudo de lado para nos ajoelharmos em oração, não conseguimos ter tempo para Deus. Uma tarefa vai levando a outra e assim quando percebemos, já terminamos o dia e não nos colocamos na presença de Deus para orar ou meditar na Palavra. Podemos nos lembrar de Marta, que estava tão preocupada em seus afazeres, enquanto Maria estava sentada aos pés de Jesus, ouvindo Seus ensinamentos. Quem mais agradou a Jesus foi Maria, pois ela escolheu a boa parte.

Até mesmo o ministério se torna uma distração quando nos deixamos levar pelo ativismo ministerial, que ocorre quando ocupamos cargos em excesso na igreja, e já não temos mais tempo para demais coisas, inclusive para Deus.

E quando nos deixamos levar pelas distrações, saímos do caminho que Deus traçou para nós.

Poderíamos falar de diversas outras distrações, pois cada pessoa tem as suas peculiaridades. Apesar de não serem pecado, se não forem utilizadas com sabedoria, elas nos afastarão de Deus tanto quanto o pecado. O segredo para não nos deixarmos levar por elas está no equilíbrio e no foco que temos. Quando o nosso foco está em Deus, não nos deixamos desviar para nada que nos leve para longe Dele. Ainda, quando buscamos o equilíbrio, não nos deixamos levar pelos excessos, o que nos livra de gastarmos tempo demais em coisas que não nos irão acrescentar em nossa intimidade com Deus.

Mesmo com foco e equilíbrio, precisamos como o salmista, reconhecer a nossa impotência enquanto seres humanos e buscar a misericórdia de Deus para nos livrar das distrações. Agindo assim, obteremos graça e êxito da parte de Deus.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

O poder do Evangelho não reside em sabedoria humana

 Texto-base: 1 Coríntios 2


O apóstolo Paulo foi um grande pregador da Palavra. Antes de sua conversão ele era um fariseu, instruído pelo mestre Gamaliel. Dessa forma, provavelmente Paulo era muito eloquente e sabia utilizar bem as palavras. 

O apóstolo Pedro também foi um grande pregador. Apenas dois dos seus discursos relatados na Bíblia foram suficientes para converter cinco mil pessoas. Todavia, Pedro era um homem de pouquíssima instrução escolar e sem habilidades intelectuais (Atos 4:13). 

Como explicar a intrepidez para pregar desses dois homens tão diferentes em termos de instrução? O apóstolo Paulo explica isso em 1 Coríntios 2. Ele relata aos cristãos que quando estava entre eles, não falava com uma linguagem culta ou intelectualizada, mas decidiu agir como se não soubesse de nada, para que eles fossem ensinados pelo Evangelho da cruz, não por ele. Ainda, o Evangelho por ele pregado não consistia em palavras, mas no poder do Espírito.

Quando Pedro foi preso após fazer um dos seus discursos, os religiosos perguntaram com qual poder ou em nome de quem eles faziam isso. Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes respondeu que ele fazia isso em nome de Jesus. O propósito da pregação era Jesus, e o poder para pregarem lhes era dado pelo Espírito.

Paulo nos fala que existem mistérios das revelações de Deus, e eles apenas nos são revelados pelo Espírito, o qual penetra até mesmo as profundezas de Deus.

Tudo isso nos faz enxergar que não há revelação da Palavra se não for pelo Espírito. Mas não apenas para quem prega. Paulo termina esse capítulo dizendo que as coisas espirituais apenas se discernem espiritualmente. Se para falar temos que ter o Espírito, para entender também.

Muitos pregadores estão tentando convencer as pessoas utilizando as suas palavras, muito lindas por sinal, mas que não surtem efeito porque não são reveladas pelo Espírito, mas pela sua sabedoria humana.

Ao pregarmos, temos que nos esvaziar dos nossos conhecimentos seculares, deixando que prevaleça o saber de Deus em nós. E temos que entender que se não houver o poder do Espírito as nossas palavras serão meras palavras.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Os perigos da religiosidade

 Texto-base: Gálatas 5:1-5


O pecado é um grande obstáculo que nos impede de chegarmos a Deus, todavia, existe também outro obstáculo tão nocivo quanto o pecado: a religiosidade. Pelo fato dela ser mascarada de performance para Deus, ela tem o poder de nos enganar, nos fazendo acreditar que servimos a Deus de verdade, quando na verdade , servimos apenas os preceitos religiosos.

Os judeus viveram isso. A lei de Moisés estava tão latente na maneira como eles serviam a Deus, que eles não adoravam mais a Deus, mas viviam presos em rituais severos do judaísmo, e acreditavam que tais rituais os fariam serem próximos de Deus.

Mas então chega Jesus. Um homem que praticava a lei sem se sujeitar a ela. Acolhia as prostitutas, tocava em leprosos, sentava-se com os cobradores de impostos. O seu propósito não era abandonar a lei, mas nos mostrar que não devemos viver como escravos dela.

Quando os cristãos da Galácia, os chamados Gálatas, queriam circuncidar-se para receberem a salvação, o apóstolo Paulo os lembrou de que se eles cumprissem esse ritual, Cristo para eles não teria função. Se eles passassem a viver para a lei, o propósito da graça estaria anulado.

Hoje, os preceitos religiosos que nos aprisionam não são as regras do judaísmo, mas rituais criados no decorrer da história do cristianismo. Mas, como saber se o que estou praticando é religiosidade? Tudo o que nos faz acreditar que é a técnica que nos aproximará de Deus, é preceito religioso. O oposto da lei é a graça. Então, quando fazemos crendo que será aceito não pelo mérito do que fazemos, mas pelo amor que tem por nós quem recebe o que fazemos, estamos no âmbito da graça.

Paulo estava preocupado com os Gálatas pelo retrocesso que aquela comunidade estava vivendo, pois após terem recebido e experimentado da graça, estavam se submetendo novamente aos preceitos da lei.

A religiosidade é tão perigosa porque ela tem a capacidade de cegar aqueles que a praticam. Como ela vem com a aparência de obras para Deus, o religioso não enxerga as coisas como realmente são, pelo contrário, acredita que as suas obras o justificam. 

Que possamos clamar a Deus a sua misericórdia para nos livrar da religiosidade, pois tão prejudicial quanto o pecado, ela nos afasta de Deus e anula o maior presente que recebemos de Deus: a salvação pela graça.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Hamã: a soberba precede a ruína

 Texto-base: Ester 3

O livro de Ester narra uma linda história em que se tem três personagens centrais: Ester, uma órfã judia que se tornou rainha, Mordecai, o judeu temente a Deus que criou Ester, lutou para salvar o seu povo e se tornou grande no reino da Pérsia e Hamã, um homem malvado e ambicioso, que por se colocar como adversário do povo de Deus, foi sucumbido.

Não se sabe como ele chegou ao alto escalão da realeza, mas Hamã se tornou o segundo homem do reino, detendo apenas menos poder do que o rei. Ambicioso e arrogante, Hamã gostava de ser reverenciado pelas pessoas, que se prostravam quando ele passava. Entretanto, havia o judeu Mordecai, que não se prostrava quando ele passava, o que lhe deixou em estado de grande fúria. Para se vingar de Mordecai, Hamã elabora um plano diabólico, onde planeja exterminar todos os judeus das 127 províncias que haviam no reino persa.

A maldade de Hamã era tão intensa, que apesar de apenas Mordecai não lhe ser submisso, ele quis destruir todos os judeus. Na verdade, esse era um propósito satânico para destruir o povo de Deus. Entretanto, sabemos que qualquer tentativa de destruir o povo de Deus é frustrada desde a sua concepção, pois ninguém poderá destruir o povo escolhido do Senhor.

O rei, incitado por mentiras contadas por Hamã, decreta a morte dos judeus. Um decreto horrendo, que onde chegava causava espanto e desespero, pois aquele povo seria morto sem nenhum motivo aparentemente grave e de forma cruel, pois não teria o direito à defesa.

Sem estar plenamente satisfeito, Hamã tenta antecipar a morte de Mordecai, construindo uma forca para matá-lo. Na noite em que ia pedir a morte de Mordecai, o rei se lembra do livramento de morte que recebeu por intermédio de Mordecai e toma uma atitude para honrá-lo. 

Após isso, Hamã fica impedido de pedir ao rei a morte de Mordecai, e assim começa a sua queda. Quando a rainha Ester o chama para um banquete, ele se envaidece. Mas ele não sabia que na verdade o banquete da rainha tinha o propósito de desmascarar o seu plano diante do rei. Hamã é condenado à morte, e morre enforcado na própria forca que construiu para Mordecai. No dia da batalha dos judeus contra os seus adversários, os dez filhos de Hamã são mortos. 

E assim, termina a história de Hamã, um homem que tinha todas as armas para ser bem sucedido, mas que deixou a maldade e a arrogância dominarem seu coração. Ainda, tentou destruir o povo indestrutível pelo homem, o povo de Deus. Atentar contra o povo de Deus é insurgir contra o próprio Deus. Quem assim age, busca o juízo para si próprio.

Hamã é o exemplo de que o mal que plantamos para o outro nós mesmos colhemos. A vitória será sempre do povo de Deus. Não adianta tentar contra a obra do Senhor, pois Deus sempre vence. O povo de Deus pode chorar, como choraram os judeus, mas Deus sempre dará o escape. Quanto aos inimigos, serão derrotados para sempre.