sábado, 26 de fevereiro de 2022

Os três solos inférteis

 Texto de referência: Lucas 4:8-15


A parábola do semeador é muito conhecida pelas pessoas, mas acredito que ainda que possamos lê-la centenas de vezes, sempre teremos algo novo a aprender com ela. Essa parábola é apresentada em três versões. Hoje eu gostaria de meditar acerca da versão dada pelo evangelista Lucas acerca das três sementes que caíram em solos inférteis.

Resumindo rapidamente, são três sementes e cada uma cai em um tipo de solo, tendo um fim específico.

A primeira semente caiu à beira do caminho e foi pisada, então as aves do céu a comeram. Jesus disse que essa semente refere-se às pessoas que ouvem a Palavra, mas que o diabo a tira do coração para que o ouvinte não creia e seja salvo. Percebe-se que não basta apenas ouvir, é preciso crer para ser salvo, mas o diabo sabe que ouvir é o primeiro passo. Então na sua astúcia, ele tira essa palavra do coração das pessoas através da incredulidade, fazendo com que a pessoa ouça, mas não creia e assim a palavra se torne infrutífera.

A segunda semente caiu entre pedras, mas secou por falta de umidade. A explicação dessa parte é que se refere àqueles que ouvem a palavra, recebem com alegria e chegam a crer, logo, prosseguem mais do que os primeiros da beira do caminho, mas logo desistem da Palavra quando vêm as provações e dificuldades.

A terceira semente caiu entre espinhos, vindo a ser sufocada por eles. Jesus disse que essa semente refere-se às pessoas que ouviram a palavra mas com o passar do tempo foram sufocadas pelos cuidados, riquezas e prazeres da vida e assim não chegam a amadurecer os seus frutos. Semelhante à segunda semente, essas pessoas chegam a desenvolver a Palavra em si, mas não conseguem prosseguir com ela.

Se formos analisar a segunda e terceira sementes, percebemos que tanto as dificuldades quanto as facilidades da vida roubam a Palavra de nós. Enquanto muitos se desviam por não suportarem as dificuldades, outros se desviam por se envolverem demais com as facilidades.

Que a Palavra de Jesus não encontre em nós nenhum desses solos inférteis.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Amor que brota do perdão: a história da pecadora que ungiu os pés de Jesus

 Texto de referência: Lucas 7:36-50


A palavra de Deus está repleta de histórias bíblicas sobre mulheres. Em um desses episódios, Jesus estava em um jantar na casa de um fariseu quando chegou uma mulher pecadora. A Bíblia não relata o nome dessa mulher e que tipo de pecado ela praticava, mas sabe-se que era algo conhecido por muitos do lugar.

A mulher veio por trás de Jesus, ungiu os seus pés com unguento (óleo), e chorava derramando lágrimas em seus pés. A seguir, ela enxugava os pés de Jesus com seus cabelos e beijava-os. Esses gestos foram feitos repetidas vezes, gerando o incômodo de todos ao redor. Mas Jesus justificou o ato excêntrico da mulher como um gesto de amor. Para demonstrar isso, ele usou uma parábola na qual um homem que tinha dois devedores que lhe devia quantias de diferentes valores e perdoava a ambos, e explicou que o amaria mais aquele que tinha uma dívida maior, pois esta havia sido perdoada.

A explicação de Jesus foi de que, quanto mais somos perdoados, mais amamos aquele que nos perdoou. Por isso a atitude da mulher era um gesto de amor, pois ela era rotulada como pecadora perante toda a comunidade, e de fato, havia cometido pecados, mas encontrou em Jesus uma fonte de amor e perdão. Talvez pela primeira vez alguém olhava para ela sem olhar de julgamento, mas de acolhimento.

Enquanto as pessoas ao redor continuavam a julgá-la, agora pela sua atitude com Jesus, Ele a amava, pois sabia que dentro dela também havia amor por Ele. E esse amor estava fazendo com que ela se arrependesse e abandonasse os seus pecados.

Aquela mulher é exemplo para nós de arrependimento e gratidão. O fariseu achava-se justo demais, enquanto a mulher reconhecia tão veementemente o seu pecado, que se derramou aos pés de Jesus. Ela recebeu perdão e salvação e soube agradecer a Jesus por essas dádivas.



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Um cego não pode guiar outro cego

 Texto de referência: Lucas 6:39-42


A Palavra de Deus tem vários benefícios, dentre eles o de ser luz para as nossas vidas. Se você estiver em um caminho escuro, precisará de uma fonte de luz (uma lanterna, por exemplo) para clarear a estrada. Caso contrário, você poderá cair em buracos, tropeçar em obstáculos ou até ser surpreendido por algum animal.

Mas a Palavra não é uma luz propriamente dita. A expressão de ser luz é apenas uma metáfora, no sentido de que quando andamos sob a Palavra, sabemos com clareza qual direção seguir. O discípulo de Jesus vive sob a instrução da Palavra. Se assim ele viver, ele poderá ser como Jesus, nunca maior, mas como Ele. Não em glória e majestade, mas nas mesmas obras.

O problema é que o discípulo dos dias atuais não têm buscado a instrução da Palavra e sobre isso Jesus também nos alertou, ao dizer que um cego não pode guiar outro cego, pois se isso ocorrer, ambos cairão no buraco. Essa comparação se refere à Palavra, pois aquele que não tem a instrução desta, vive em completa escuridão, como aqueles que não enxergam.

E, mesmo sem uma vida na Palavra, muitos discípulos têm, mesmo vivendo em sua cegueira, buscado ensinar a outros, mas Jesus nos alerta de que isso não é possível, pois só podemos levar luz quando temos luz em nós.

Toda essa situação acarreta outro problema, o de ver problemas no outro, sem enxergarem os seus próprios. 

Não dá para exercemos o nosso chamado sem termos a nossa vida pautada na Palavra. Não dá para vivermos um ministério de curas, milagres e libertação se a instrução da Palavra não estiver em nós. Se a luz não estiver em nós, nós também seremos trevas. Como então poderemos clarear o caminho do outro se o nosso está em completa escuridão?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

A plenitude do Espírito no início do ministério de Jesus

 "Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto. (...) Então, Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galileia, e a sua fama correu por toda a circunvizinhança." Lucas 4:1;14


No início do Seu ministério, Jesus foi batizado por João no Rio Jordão. Naquele momento, o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea de uma pomba e ele foi cheio da Sua presença. Mas logo em seguida, Jesus enfrentou uma situação desafiadora, pois o mesmo Espírito do qual Ele estava cheio O levou ao deserto para ser tentado pelo diabo.

Ali Jesus foi tentado de diversas maneiras (mais sobre esse assunto no texto: disponível pelo link:https://santidadenapalavra.blogspot.com/2022/01/os-tres-vieses-da-tentacao.html?m=1), mas não caiu em nenhuma delas. Ao final dos quarenta dias, Jesus venceu aquela etapa e uma nova se iniciava: o seu ministério. Nesse momento, a Palavra relata que ele regressou para a Galiléia no poder do Espírito.

Há três menções sobre o Espírito Santo nesse texto, sendo a primeira a respeito de que Jesus estava cheio do Espírito, a segunda a qual diz que Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, e a terceira que diz que Jesus regressou do deserto no poder do Espírito para dar início ao Seu ministério público.

O mesmo Espírito do qual Jesus foi cheio O levou ao local onde seria tentado. Quando Ele superou as tentações, o Espírito O encheu de poder para que Ele anunciasse o Reino de Deus às pessoas. O Espírito Santo é a nossa companhia diária. Quando temos Ele conosco, sabemos que em todas as situações nós sentiremos a Sua presença. O Espírito não abandonou Jesus enquanto Ele estava no deserto, mas estava lá o tempo todo. Jesus viveu na plenitude do Espírito, para nos ensinar que nós também podemos viver assim, para a glória do Senhor.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

As consequências do pecado

 Texto de referência: Salmos 38


Em geral é muito difícil reconhecer os nossos pecados, pois ele revela as nossas fraquezas. Somos bons em reconhecer pecados alheios, mas péssimos em reconhecer os nossos. Mas uma das provas de que amadurecemos espiritualmente é quando reconhecemos as nossas falhas. O salmista Davi no Salmos 38 reconheceu, e demonstrou arrependimento (v. 20).

Neste salmo, ele apresenta a Deus o seu pecado e expõe tudo o que ele causou em sua vida. 

Doenças físicas: o salmista diz em algumas partes que o seu corpo físico estava doente como consequência do seu pecado (v. 3, 5 e 7). Apesar de sabermos que nem toda enfermidade tem relação direta com algum pecado, sabemos que de fato o pecado pode causar algumas enfermidades em nosso corpo.

Abatimento e tristeza: o salmista encontrava-se abatido, havia tristeza em seu coração (v. 6, 18). Essa é uma das consequências do pecado, pois sabemos que fomos criados para Deus e quando estamos distantes d'Ele, o nosso prazer interior acaba.

Fraqueza: o pecado suga também as nossas forças, como fez com o salmista (v. 10). Quando nos entregamos ao pecado, perdemos a força que vem de Deus.

Desassossego e aflição: Deus é um Deus de paz. Não há quem queira mais que tenhamos paz do que Deus. Ele é a nossa paz. Quando estamos distantes do Senhor, pois o pecado nos afasta d'Ele, perdemos a nossa paz (v. 8 e 10).

Adversários: outra consequência do pecado é que quando nos entregamos a ele, perdemos a proteção de Deus e ficamos a mercê dos nossos adversários (v. 12).

É importante ressaltar que nem toda doença, tristeza, aflição ou inimigos são consequências diretas do pecado. Outros fatores também contribuem para tais condições e é preciso avaliar cada caso de forma específica. Muitos santos na Bíblia, mesmo vivendo em santidade experienciaram situações bastante adversas.

Apesar disso, sabemos que o pecado é extremamente prejudicial à nossa vida, pois o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23). Dessa forma, cabe a nós ficarmos cada dia mais distantes dele e nos esforçarmos por viver uma vida de justiça e santidade.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Vivendo uma vida (com Deus) abundante

 Como é preciosa, ó Deus, a tua benignidade! Por isso, os filhos dos homens se acolhem à sombra das tuas asas.  Fartam-se da abundância da tua casa, e na torrente das tuas delícias lhes dás de beber. Salmos 36:7‭-‬8


Temos vivido dias difíceis onde o TER se sobrepõe ao SER. Diariamente somos bombardeados com mensagens midiáticas que nos impulsionam a comprar coisas que muitas vezes nem necessitamos, somente para sermos socialmente aceitos. Nesse contexto, na expectativa de termos cada vez mais, passamos a olhar para a Palavra de Deus com foco apenas na prosperidade material, esquecendo-nos das demais coisas.

O versículo de referência dessa mensagem nos convida a uma vida abundante. Primeiramente, ele faz referência a uma abundância que há em Deus, depois nos convida a beber em um rio de Deus onde há delícias. Quando o nosso foco está no material passamos a pensar nessa abundância apenas para esse contexto.

Mas quando meditamos profundamente na Palavra de Deus descobrimos que existe algo muito maior, que não se limita aos aspectos materiais.

Em Isaías 55:2 o Senhor nos convida a não gastarmos o nosso dinheiro em coisas que não nos satisfazem, mas nos aproximarmos de Deus e ouvi-Lo, para comermos de finos manjares. Quando lemos todo o capítulo, percebemos que esse banquete oferecido por Deus não é material, mas espiritual, pois se trata de uma vida de arrependimento sincero.

E assim, vamos saindo do foco de abundância material para apreciarmos outro tipo de plenitude: a de uma vida debaixo da Palavra de Deus. Esse pensamento se torna ainda mais nítido quando Jesus no sermão do monte afirma que aqueles que têm fome e sede de justiça serão completamente satisfeitos. Dessa forma, percebemos que somos realmente plenos, ou seja, completos, quando fazemos a vontade do Senhor.

É a mesma sociedade que nos impulsiona a comprar que nos diz que existem coisas que o dinheiro não compra. De fato, existem muitas coisas e uma delas é a presença de Deus conosco, pois esta só pode ser alcançada quando vivemos em obediência. Não é errado desejar uma vida material abundante, mas o nosso maior desejo deve ser a abundância da presença de Deus, e assim todas as demais coisas também virão até nós.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Maria, a mulher que só queria estar aos pés de Jesus

 Texto de referência: Lucas 10:38-42


Existem três referências a Maria irmã de Lázaro na Bíblia. A primeira delas está em Lucas e relata uma visita que Jesus fez à sua casa. Marta também estava e Lázaro, apesar de não mencionado no episódio, provavelmente estava, pois parecia se tratar de um almoço entre várias pessoas.

Nesse dia, Marta estava cuidando das tarefas da casa, e Maria estava aos pés de Jesus, ouvindo seus ensinamentos. Isso indignou muito Marta, que veio reclamar de tal fato com Jesus. Com amor, Jesus ensinou a Marta que na verdade, quem estava certa era Maria, pois a melhor parte daquele momento festivo era a presença de Jesus ali.

Nos dias atuais, essa atitude de Maria seria completamente repudiada por nós, que a chamaríamos de preguiçosa e relapsa, mas Jesus não enxergou assim, pelo contrário, Ele a elogiou. Isso não significa que Jesus seja contra o fato de organizarmos a nossa casa, pelo contrário, é a Bíblia que manda que as mulheres sejam boas donas de casa. O que Ele quis nesse episódio nos deixar como lição é acerca das nossas prioridades.

Maria estava diante do próprio Deus, e ela entendeu isso. Nesse sentido, Maria percebeu que se ocupar com as coisas da casa e deixar de desfrutar da Sua presença não era a melhor escolha. Maria tinha sede pela presença de Deus e demonstrou isso ao deixar tudo para trás para estar aos pés de Jesus.

Em um mundo onde tantas preocupações tomam a nossa mente, onde a vida tem sido tão agitada, precisamos dessa serenidade que Maria nos passa, onde nós vamos deixar tudo por fazer, para estar aos pés de Jesus e desfrutar da Sua agradável presença.


Mais sobre esse assunto em: https://santidadenapalavra.blogspot.com/2020/12/pouco-nos-e-necessario.html?m=1